segunda-feira, 16 de maio de 2011

COMPANHEIRO MAÇOM

AS FERRAMENTAS DO GRAU DE COMPANHEIRO NAS VIAGENS DA ELEVAÇÃO

Introdução
O Aprendiz, ao completar seus três anos de trabalho, é de se supor que tenha aprendido o significado da posição vertical ou perpendicular, ou seja, a reta que ascende para o reino dos céus, e portanto aproxima-se daquele ser humano hígido, de pé e ativo.
A perpendicular tem sua representação no prumo, que é a jóia do segundo vigilante e é a medida de retidão. Estar a prumo significa estar de forma correta e precisa em qualquer posição na vida, quer familiar, quer profissional ou ainda fraternal.
Nessas condições, o Aprendiz deverá passar ao nível, se comprovadamente tais propósitos foram cumpridos, ou seja, se ele se considera um, homem hígido, de pé e ativo. Pois o nível, simbolicamente, nos ensina que devemos pautar nossa vida dentro do equilíbrio, a fim de que nossas ações se ajustem à perfeição do desejo, dando o equilíbrio necessário para que nossa obra seja permanente e estável, na medida justa e satisfatória. Assim, o nível e o prumo formam o dualismo perfeito e conduzem à sabedoria.
No ritual de elevação, o candidato é informado pelo Venerável que irá passar do número três ao número cinco e, para tal, deverá realizar cinco viagens.

Desenvolvimento
Síntese da Cerimônia de Elevação
O Exp∴, chegando à porta do templo e conduzindo o candidato, bate à porta como no 1º grau. O Cobr∴ Int∴ comunica ao Ven∴ e este manda verificar quem bate. Por sua vez, o Cobr∴ Int∴ informa que é o Exp∴ conduzindo um Ap∴ que deseja passar da Perpendicular ao Nível.
À ordem do Ven∴, o candidato entra como Apr∴, coloca-se entre colunas, à direita do Exp∴, faz a saudação às Luzes e permanece à ordem e com a régua (não graduada) na mão esquerda (apoiada no ombro esquerdo que é o símbolo da Lei da Ordem e da Inteligência, que deve nortear as atividades dos Maçons e os estudos do Companheiro. Ressalte-se que a Sessão foi aberta ritualisticamente.
A seguir, o Ven∴ explica, ao candidato, que ele irá passar do número TRÊS ao número CINCO e que deverá realizar cinco viagens, em alusão aos cinco anos de trabalhos e de estudos, que era, primitivamente, a exigência para que os obreiros aspirassem à ascensão dentro da Ordem. Hoje não se trata de uma graça especial o fato de serdes elevado após um estágio simbólico, o que contudo não é feito indistintamente. Por isso, aquele que é privilegiado, deve tornar-se digno de tal graça, trabalhando com todo zelo.
O próprio Ven∴ ou o Orad∴ explica, a seguir, o significado da Régua de 24 polegadas que o candidato leva no ombro. - Todos os sinais maçônicos devem ser feitos com a mão e jamais com instrumento de trabalho como: malhetes, bastões, espadas, sacolas.

A régua de 24 polegadas
A polegada é uma medida antiga que se afastou do sistema métrico francês; contudo, ainda é usada, posto que esporadicamente, é utilizada por nós brasileiros.
A Maçonaria a adota porque simboliza o dia com as suas 24 horas.
Assim, a régua maçônica mede 0,66 (sessenta e seis centímetros - a polegada é a 12ª parte do pé, ou, 0,0275).
O tamanho da régua já sugere que é um instrumento destinado à construção.
Filosoficamente, o maçom deve pautar a sua vida dentro de uma determinada medida, ou seja, deve programá-la corretamente e não se afastar dela.

Primeira Viagem
Ferramentas: Maço e Cinzel, simbolizando a Vontade ativa, firme e perseverante e o Livre Arbítrio; fortifica-se a Vontade para chegar ao Livre Arbítrio.
Lembra os 5 órgãos dos sentidos.
Antes, a uma ordem do Ven∴, o Exp∴ substitui, na mão esquerda do Aprendiz, a Régua pelo Maço e pelo Cinzel.
Depois disso ele toma a mão direita do candidato, do Norte e do Sul, mas só no espaço entre as Colunas do Norte para o Sul, passando-se, depois, entre colunas e à ordem, sem fazer qualquer sinal, a não ser inclinar ligeiramente a cabeça em sinal de respeito ao Venerável. É comunicado que foi concluída a primeira viagem.
O Ven∴ então fala sobre o significado dessa viagem e sobre o Simbolismo do Maço e do Cinzel - É mister que ressaltar que todos os Irmãos, ao adentrarem o templo, durante a sessão, devem fazê-lo com as devidas formalidades, ou seja: deverá entrar com a marcha do grau.
Significado dessa viagem - palavras do Ven∴ - Meu Ir∴ , esta primeira viagem simboliza o período de um ano, que o Comp∴ deve empregar em aperfeiçoar-se na prática de cortar e lavrar a P∴ B∴ que aprendeu a desbastar, quando Apr∴, com o maço e o Cinzel. Por muito perfeito que seja o Apr∴ lembrai-vos que sozinho não pode terminar a sua obra, visto como os molhes (paredão, que se constrói nos portos de mar em forma de cais, para protegê-lo da violência das águas; quebra-mar) de pedras do Templo que se eleva a Glória do Gr∴ Arq∴ do Univ∴ exigem, um duro e penoso trabalho no Maço, e da firme e aplicada direção do Cinzel, não se desviando do que pelos Mestres lhe foi traçado (pequena pausa).
Dai-me o Sin∴ de Apr∴

Simbolismo do Maço e Cinzel
Maço - O maço é uma espécie de martelo, de maiores proporções, servindo para construir ou para destruir. Maçonicamente, o maço é a ampliação do malhete, instrumento empunhado pelo Venerável Mestre e pelos Vigilante, representando a força e vigor. O maço sugere duas situações, uma ativa, outra passiva; a ativa é quando bate, e passiva quando o objeto batido sofre o choque. O que nos lembra o maço, senão que o usamos na iniciação apenas uma vez, dando três pancadas na pedra bruta?
Podemos tirar uma boa lição desse instrumento tão contundente, usando-o em nós mesmos para retirar as arestas de nossa pedra bruta, objetivado o auto aprimoramento.
A maçonaria é uma escola, mas há viabilidade de uma auto-educação, pois, ao invés de esperarmos que alguém nos bata para aparar nossas arestas, podemos fazer isso nós mesmos, em uma atitude mais suave e precisa.
Reconhecer os próprios erros já é uma prática de desbastamento do espírito, ainda embrutecido da inteligência humana.
Cinzel - Instrumento do grau de Aprendiz, que, com o malho, serve para desbastar simbolicamente a pedra bruta, esta um emblema da personalidade não educada e polida. Representa o intelecto.

Segunda Viagem
Ferramentas: Régua e Compasso, simbolizando a Harmonia e o Equilíbrio. Com elas pode-se construir todas as figuras geométricas existentes. Deus geometriza. A Régua traça a linha de conduta e o Compasso traça um círculo que indica o alcance de nossa linha de conduta.
Esta Viagem tem por objetivo o estudo da Arquitetura e também a Agrimensura, que no Antigo Egito era sagrada e secreta.
Inicia-se pela substituição do Maço e o Cinzel, pelo Compasse e pela Régua de 24 Polegadas. O trajeto é o mesmo da primeira, terminando entre colunas, ficando, o candidato, à direita do Exp∴. Depois da comunicação do término da viagem, o Ven∴ explica o significado dela e o do Compasso e da Régua de 24 polegadas - Arrastar os pés no chão, para as delegações de Lojas.
Significado dessa viagem - palavras do Ven∴ - Meu Ir∴, esta Segunda viagem nada mais é do que o símbolo do segundo ano, no qual o Apr∴ deve adquirir os elementos práticos da Maçonaria, isto é, a arte de traçar linhas sobre materiais desbastados e aplainados, o que só se consegue com a Régua e o Compasso. (pequena pausa)
Ven∴ - Meu Ir∴ , daí o sinal do Toq∴ de Apr∴ ao Ir∴ 2º Vig∴.

Simbolismo do Compasso
O Compasso Filosoficamente, o homem constrói a si próprio, e para que resulte um templo apropriado a glorificar o grande arquiteto do universo torna-se indispensável saber usar cada um dos principais instrumentos da construção.
Dos alicerces ao teto, todos eles são indispensáveis, e quando surgir em nosso caminho algo com aparência de incontornável, lançamos mão da alavanca. Removido o obstáculo, teremos uma edificação gloriosa que nos honrará.
O compasso mede os mínimos valores até completar a circunferência e o círculo onde fixamos uma das hastes do compasso e, girando sobre nós próprios, executaremos com facilidade o projeto perfeito.
O entrelaçamento do compasso com o esquadro será o distintivo permanente da maçonaria. Nossa vida é uma prancheta onde grafamos os projetos que, estudados, calculados os seus valores resultará no caminho completo para a construção de nosso ideal.

Terceira Viagem
Ferramentas: Régua na mão esquerda e Alavanca apoiada no ombro direito. Alavanca simboliza Potência e Resistência; Potência para regular e dominar a inércia dos instintos; a Alavanca é a fé que move montanhas. Está relacionada com a Matéria. Tem duas extremidades: o pensamento e a vontade. Esta Viagem lembra as sete artes liberais do mundo antigo
Para fazer a terceira viagem, é substituído, na mão esquerda do candidato, o Compasso pela Alavanca, continuando a Régua de 24 polegadas. A viagem é igual às anteriores e, no final o Ven∴ dá as explicações sobre ela e sobre a Alavanca. - Trata-se do terceiro ano de estudos. A alavanca é o símbolo da Força , servindo para erguer os mais pesadas fardos; moralmente, ela representa a firmeza de caráter, a coragem indomável do homem independente e o poder do amor à Liberdade.
Significado dessa viagem - palavras do Ven∴ - Meu Ir∴ , esta terceira viagem simboliza o terceiro ano, no qual se confia ao Apr∴ a direção, transporte, colocação dos materiais trabalhados, o que se alcança com a Régua e a Alavanca.
A Alavanca, em lugar do Compasso, é o emblema do poder que, junto às nossas forças individuais, multiplica a potência do esforço e possibilita o desempenho de grandes tarefas.

Simbolismo da Alavanca
A Alavanca - Trata-se de um instrumento utilizado que representa simbolicamente a força. Seu formato, de per si, sugere essa referida força; basta-lhe um ponto de apoio para erguer um peso enorme sob a simples pressão muscular de um braço.
Arquimedes dizia: "Dai-me um ponto de apoio que erguerei o mundo", manifestação filosófica no sentido de valorizar o "ponto de apoio".
Em nossa vida quando no deparamos com algum obstáculo a ser removido e que expressa um esforço impossível, o maçom deve evocar a alavanca e buscar esse "ponto de apoio".
Às vezes , a solução está perto de nós e não visualizamos porque nossa atenção está voltada para o grande obstáculo.
A lição da alavanca é que não há peso que não possa ser removido e, assim, os obstáculos serão removidos, embora ultrapassados , pois a alavanca apenas suspende e, desequilibrando o peso, faz com que este se mova.
Existindo o problema, ao lado estará a solução, basta encontrá-la, o que não é tarefa ingente.
O) "!ponto de apoio" é quem suporta todo o peso do obstáculo e, assim, revela-se a parte mais importante.
Numa fraternidade, cada irmão constitui um "ponto de apoio", que unidos representa a alavanca, devemos aprender a usar esse poder que só a maçonaria propicia.

Quarta Viagem
Ferramentas: Régua e Esquadro que simboliza os propósitos segundo o ideal que inspira.
Viagem destinada ao estudo da Filosofia.
Inicia-se com a substituição da alavanca pelo Esquadro, continuando a Régua de 24 Polegadas.
O trajeto é o mesmo das viagens anteriores e, no final da viagem, o Ven∴ dá a explicação sobre os símbolos. - Esta viagem representa o estudo da Natureza, cujo conhecimento nos leva construção do edifício na direção de seu todo, simboliza ainda meu Ir., nos tempos primitivos da nossa Ordem era mister que o Apr∴ trabalhasse, sem interrupção durante cinco anos, para ser Elevado à Comp∴ . Não quero, com isso, dizer que seja uma graça especial o fato de serdes Elevado hoje, após um estágio simbólico, o que, contudo, não é feito indistintamente, dizendo pelas ciências.
Significado dessa viagem - palavras do Ven∴ - Esta quarta viagem, meu Ir∴, simboliza o quarto ano de um Apr∴, no qual ele deve ocupar-se, principalmente, na construção do edifício, na direção de seu todo, verificando a colocação dos materiais reunidos dando continuidade da obra do Grande Arquiteto do Universo. Esse conhecimento nos traduz que com a aplicação do zelo e da inteligência mostrado no trabalho constante, comedido e aprimorado pode nos permitir orientar nossos IIr∴ menos instruídos.

Simbolismo do Esquadro
O Esquadro - Somente quem souber esquadrejar poderá transformar a pedra bruta em pedra angular e devidamente desbastada, visando - num trabalho - poli-la e burilá-la parta ser transformada em pedra de adorno na construção.
O Esquadro que forma um ângulo reto nos ensina a retidão de nossas ações; o maçom em sua linguagem simbólica diz que pauta a sua vida "dentro do esquadro"
Tudo está na dependência da retidão, tanto na horizontalidade como na verticalidade.
Seguindo-se as hastes do esquadro, teremos dois caminhos que vão se afastando, quando mais distantes seguirem; isso nos ensinará que se nossa vida se pautada de forma correta, encontraremos o caminha da verticalidade espiritual e o da horizontalidade material.
Esse instrumento é imprescindível na construção; caso não for usado, teremos uma obra torcida, sem equilíbrio e pronta para ruir.

Quinta Viagem
Sem ferramentas demonstrando o perfeito desenvolvimento das faculdades internas já enumeradas. Existe uma discussão pelo fato de o Ap∴, candidato a Comp∴, não portar ferramentas alegando-se que estaria ocioso, mas a verdade é que é uma Viagem de meditação, igualmente proveitoso para o trabalho que virá.
Esta Quinta Viagem tem o mesmo sentido horário, conforme o rito de circunvolução. É errado o sentido inverso que em alguns textos ou rituais chegou a ser estabelecido pouco tempo atrás.
A Espada contra o peito simboliza a proteção do Anjo da Guarda para o Homem que, expulso do Éden precisa defender-se do Mal que existe no mundo externo; que ele não entre no seu Templo interior.
O Exp∴ retira o Esquadro e a Régua da mão do candidato, pois, nesta viagem, ele nada leva. O Exp∴, então encosta a ponta de uma espada sobre o peto (lado esquerdo, região cordial) do Aprendiz, que com o polegar e o indicador da mão direita, segurará a ponta da arma, fixando-as. E assim é feita a circulação. - A Quinta viagem significa que, tendo, o candidato terminado a sua aprendizagem material, representada pelas quatro viagens, em que ele conduziu instrumento de trabalho, ele pode aspirar a alguma coisa além do que pode ser percebido no plano físico do Aprendiz. Ou seja, ele está pronto para a transição do plano físico ao plano espiritual, ou plano cósmico.
Significado dessa viagem - palavras do Ven∴ - Terminada, o Ven∴ transmitirá o seu significado.
Esta quinta viagem mostra que o Apr∴ suficientemente instruído nas práticas manuais, deve, durante o quinto e último ano, aplicar-se ao estudo teórico.
Meu Ir∴, não basta estar no caminho da Virtude, para nela nos conservamos; parta chegarmos a Perfeição, são necessários muitos esforços. Segui, pois o objetivo traçado e tornai-vos digno de conhecer os altos trabalhos maçônicos.

Considerações finais
Observando-se o painel do grau de companheiro vêem-se as 09 seguintes ferramentas:

Alavanca, Cinzel, Compasso, Esquadro, Maço, Nível, Prumo, Régua, e a Trolha

O que tem haver 6 destas 9 ferramentas quanto ao desejo do candidato passar da Perpendicular ao nível?
A perpendicular representa o ser humano hígido, de pé e ativo, é a reta que ascende para o reino dos céus; é a escada de Jacó que na sua verticalidade rompe as nuvens do firmamento.
Observa-se ainda outros dísticos, porem não é o caso a ser discutido no momento.
Assim das ferramentas enumeradas, apenas :
O maço, o cinzel, o compasso, a régua, a alavanca e o esquadro serão utilizados na cerimônia de elevação.
Embora, use-se também a espada na 5ª viagem, esta não é ferramenta do grau de companheiro, mas representa a proteção do sigilo que o agora companheiro deverá conservar consigo, ou partilhar com irmãos do mesmo grau ou superior.
Concluindo, de todo os conhecimentos transmitidos, entendemos, que não basta estarmos no caminho da virtude, e nela nos conservarmos,; para chegarmos à perfeição, são necessários ainda muitos esforços, estudo e pesquisas.
A atuação do maçom não se restringe a loja, pois é seu dever é exercer a verdadeira postura maçônica no mundo profano, agindo com tolerância, prudência e respeito pelo ser humano.

O Simbolismo da Elevação a Companheiro
Escrito por Armando Filippi Cravo
Introdução
Inicialmente queremos dar ênfase e chamar a atenção sobre a importância transcendental do simbolismo, que constitui os fundamentos da nossa Ordem, legado que recebemos de nossos antecessores e que continua sendo a maneira mais eficaz de transmitir nosso pensamento e nossa filosofia de vida. É um dos mais dignos suportes no qual se baseia nossa união.
Trata-se da representação visível de uma idéia ou uma força que atrás dele se oculta. É o instrumento através do qual as idéias chegam a se manifestar, e ao mesmo tempo é o mais apropriado veículo, que conduzido adequadamente nos leva precisamente à compreensão da sua identidade. Veda seu conteúdo aos que não estão capacitados para saber; mas revela aos iniciados e aos que estão dispostos a ver adiante das simples aparências, os segredos e mistérios do seu significado.
O conhecimento da verdade é como a luz pura que, refratada em um cristal prismático, se decompõe nas cores primárias. Cada indivíduo, sob a influência de uma determinada cor enxergará a luz de forma diferente de outro sob a influência de outra cor, um dirá que a luz é vermelha, outro dirá que a luz é amarela, ambos estão certos, porém, cada qual conhece apenas uma parcela daquilo que é verdadeiro.
Por outro lado a interpretação dos símbolos depende da posição relativa do indivíduo e do momento psicológico que ele está vivendo, sendo ele um ser único, lerá de forma única a mensagem oculta.
Sendo cada indivíduo um ser único e que, como já visto, o símbolo permite várias interpretações, infere-se daí que cada um terá uma visão única do seu significado , ainda mais, dependendo da sua vivência, cada indivíduo poderá emitir uma interpretação totalmente diferente da anterior, fundamentado no seu conhecimento relativo no tempo e do momento psicológico que está vivendo, porém, não menos verdadeira. Em resumo, cada símbolo pode ser interpretado de infinitas maneiras.
A nós, maçons, interessa buscar em cada símbolo o seu sentido maçônico, aquele sentido que pode nos levar ao aperfeiçoamento moral e ético, que nos ajude a enxergar as irregularidades da Pedra Bruta que somos.

O Grau de Companheiro
O Grau de Companheiro, é o segundo dentro do Rito Escocês Antigo e Aceito. Junto com o primeiro e terceiro são denominados de Graus Simbólicos. Os demais graus do Rito, são conhecidos como os Graus Filosóficos.
O Grau de Companheiro tem como objetivo o estudo das Ciências Naturais, da Cosmologia, da Astronomia, da Filosofia, da História e a investigação da origem de todas as causas de todas as coisas.
Dedica-se, outrossim, ao estudo dos símbolos e, como o faz o 1º Grau, procura conhecer o homem como ser útil na sociedade, buscando colocá-lo a serviço da humanidade para semear bem-estar através do trabalho, da ciência e da virtude.
O Aprendiz Maçom que conclui seu tempo no estágio que lhe foi proposto, julga ter estudado e absorvido os ensinamentos de todos os símbolos que encontrou dentro do Templo, contudo verificará que, ao passar para o 2º Grau, surgem novos símbolos e novas interpretações.
O seu caminho será um pouco mas preciso e filosófico/prático, sem obviamente, somar profundos conhecimentos maçônicos, exigidos gradativamente em sua elevação e posterior exaltação ao 3º Grau.
Por ser o grau intermediário dentro da Maçonaria Simbólica, assume relevante posição o estudo. Ser Companheiro, significa ser o laço de união entre o Aprendiz e o Mestre. Não sendo mais Aprendiz e sem ter alcançado a posição de Mestre, o Companheiro coloca-se como se fora o fiel de uma balança imaginária, equilibrando posições, aspirações e tendências.
Após cumprido seu período, que também é longo, paciencioso e constante, a sua fidelidade lhe dará um prêmio valioso, o de ser aceito como Mestre que é dentro da Maçonaria Simbólica a última posição.

O Simbolismo da Elevação
Devido a complexidade do simbolismo contido na a Elevação, vamos procurar nos deter na conceituação simbólica do ritual das viagens.
Construir, talvez seja o mais perfeito paradigma para o nosso engrandecimento interior. Qualquer criação seja ela física, mental ou espiritual é para nos maçons uma obra de arquitetura. Tanto que na Ordem, Deus é chamado de "O Grande Arquiteto do Universo". Esta alegoria é tão forte que propicia no campo filosófico, a possibilidade de um ser humano alargar infinitamente seus horizontes e galgar sozinho alturas inimagináveis, começando simplesmente por aprender a desbastar sua Pedra Bruta. Essa didática é tão eficaz, que passado somente alguns meses de nossa Iniciação, podemos constatar o quanto evoluímos intelectual, moral e espiritualmente. Sem que nos déssemos conta, subjetivamente, esta imagem penetrou nosso inconsciente e ficou gravada profundamente na nossa psique, lembrando-nos o tempo todo que somos ao mesmo tempo a matéria- prima, a obra e o autor. Assim funciona a psicologia do desenvolvimento maçônico. Estamos começando, ao menos simbolicamente, a nos libertar das paixões, erros e vícios e passando de Aprendizes a Companheiros, deixamos o três para aprendermos o cinco.
Como rito desta passagem, empreendemos cinco viagens, circulando por cinco vezes o Templo, do Ocidente para a Luz do Oriente e retornando sempre ao Ocidente. A cada etapa nos são apresentados diferentes instrumentos e cada vez que retornamos ao ponto de partida nos elevamos a um plano superior.
Entra-se no Templo portando a régua de vinte e quatro polegadas. Na primeira viagem ela é substituída pelo maço e cinzel. Sendo instrumentos complementares, só funcionam em conjunto. Representam, o primeiro: a vontade, a razão e a equidade, o bem julgar e o bem decidir; o segundo: o livre arbítrio, a educação e a influencia do intelecto. São usados para desbastar a Pedra Bruta, a qual fará parte do alicerce da futura construção. Esta viagem nos alerta para os cinco sentidos que são nossas janelas para o mundo físico e nos permitem vivenciá-lo
Na segunda viagem a régua e o compasso substituem o maço e o cinzel. A régua simboliza o método, a lei e a retidão de caráter. O compasso representa o infinito, pelos infinitos círculos que pode traçar. É o relativo e o absoluto coexistindo em um único símbolo.
A Inter-relação entre a régua e o compasso é simbolicamente explicada pela função geométrica dos dois instrumentos. A régua é utilizada para traçar linhas retas que significam a retidão e inflexibilidade do direito e da lei moral. Simbolicamente, ainda a este conceito, opor-se-ia a relatividade do círculo, resultado característico do traçado do compasso, simbolizando a realidade ágil e perene, com a curvatura relativa a cada um de nós. Como somos limitados, devemos nos apoiar na régua para balizar nossa conduta reta, porém sem perder o senso de realidade a que muitas vezes temos que nos render, às vezes devemos nos espelhar no G∴G∴, que escreve certo por linhas tortuosas.
Ainda que o conceito físico da definição de reta nos prove de grande significado simbólico, onde se diz que toda reta é uma pequena secção de curva (perímetro de uma circunferência) com raio infinito, vem nos mostrar que, muitas vezes, o que nos parece reto não o é e, muitas vezes, o que nos parece curvo tão pouco o é.
Com estes dois instrumentos podemos desenhar qualquer figura geométrica e praticando os valores intrínsecos destes símbolos, projetar qualquer planta da Arquitetura Maçônica. Juntos, a régua e o compasso representam a Harmonia e o Equilíbrio. Esta viagem nos mostra o valor da Arquitetura, ensinando-nos as cinco ordens básicas. Cada ordem é representada por uma coluna que irá decorar cada um dos cinco degraus que o Companheiro deverá subir: Dórica, Jônica, Coríntia, Toscana e Compósita. Cada coluna representa também um tema de estudo do Companheiro: Inteligência, Retidão, Valor, Prudência e Filantropia.
Para a terceira viagem conserva-se a régua e recebe-se a alavanca. Esta, simboliza a perseverança, a força moral, o movimento, a vontade acompanhada da inteligência e da bondade. Possibilita que com um mínimo de esforço e com um ponto de apoio preciso, movimentemos, praticamente, qualquer objeto de qualquer peso. Simbolicamente, a alavanca pode também ser interpretada como nosso livre arbítrio, pois pode remover imensos preconceitos alojados na nossa mente, impulsionada apenas pela força da razão e tendo como ponto de apoio a inteligência. Por isso a régua deve acompanhá-la sempre, pois sem a retidão e a moral seus efeitos poderiam ser desastrosos. Nesta viagem nos são apresentadas as artes liberais. A gramática, a retórica e a lógica permitem que nos comuniquemos, transformando a fala em verdadeira arte. A aritmética nos permite a arte de contar, a geometria a de medir, a astronomia a de conhecermos o Universo e finalmente a musica que sendo também matemática, nos permite alcançar altos níveis de contato com as esferas superiores. Em conjunto nos permitem a vivência e o conhecimento plenos do mundo exterior e nos abrem as portas para o mundo interior .
Para a quarta viagem troca-se a alavanca pelo esquadro e foi mantida a régua. Símbolo da equidade, retidão, justiça e disciplina, o esquadro é a soma do nível com o prumo. Seria impossível formatar nossa Pedra Cúbica sem seu auxílio.
Esta representa o ser e sua alma e o Companheiro deverá ter a justa medida, a perseverança e a disciplina para geometrizá-la e polí-la a fim de que cada uma de suas faces resulte na perfeita representação de cada uma das faculdades espirituais.
Empreende-se a quinta viagem sem portar nenhum instrumento, pois como postulantes a Companheiros, naquele momento, já devem ter incorporado suas qualidades. Tem-se apontada contra o peito a ponta de uma espada.
Este ritual nos atenta para a pureza interna que deveremos alcançar e possamos assim atingir as regiões mais altas de nossa espiritualidade. Esta Espada representa o Anjo da Espada Flamejante que guarda o "Portal do Éden", região situada no meio da espinha dorsal. Ela impede que os pensamentos impuros do mundo inferior alcancem e poluam as regiões cristalinas do nosso mundo espiritual. A expulsão do paraíso se deu exatamente por ter o humano usado o intelecto para acumular desejos criando assim o seu inferno. O escopo desta quinta viagem é fazer com que o homem refaça este caminho em sentido inverso e reencontre-se com seu paraíso, ou seja, seu plano espiritual (seguindo esta idéia, algumas Lojas mudam o ritual e fazem esta viagem em sentido inverso).
Assim, alcança-se o primeiro degrau da escada de Jacó. A escada por onde os Anjos de Deus sobem e descem. E como o Grande Arquiteto não nos abandona nunca, envia estes mesmos anjos para nos auxiliar nesta subida. Devemos durante essa escalada para a Luz, manter acesas as chamas da Fé, da Esperança e da Caridade, simbolizadas pela Cruz, pela Âncora e pelo Cálice. Sobretudo devem-se manter acesas as chamas da justiça e da liberdade, a nossa liberdade, a liberdade dos outros, mas principalmente nossa liberdade interior. Que nunca, ninguém, nem nada, possam cercear nosso direito de livre pensar.

Bibliografia
Ritual - Rito Escocês Antigo e Aceito - 2º Grau - Companheiro - Grande Oriente do Brasil – 2001
CAMINO, R - Breviário Maçônico - Para o dia-a-dia do Maçom - Madras Editora Ltda. São Paulo, 1999.
CASTEZLLANI, J. Liturgia e Ritualística do Grau de Companheiro Maçom ( em todos os Ritos)
A Gazeta Maçônica. S Significado dessa viagem - palavras do Ven.: - Paulo ,1987.
FIGUEREDO, J.G. - Dicionário de Maçonaria - Seus mistério, Seus ritos, Sua filosofia, Sua história. Editora Pensamento Ltda, São Paulo, 1996-97-98.
http://xoomer.virgilio.it/direitousp/ini11-35.htm
http://pt.scribd.com/doc/6997567/Ferramentas-Do-Companheiro
http://pt.scribd.com/doc/6997659/Simbolismo-Da-Elevacao
http://euseiqueeusei.blogspot.com/2009/07/as-ferramentas-do-grau-de-companheiro.html
http://www.portalcravo.com.br/armando/index.php?view=article&catid=6:simbolismo&id=186:o-simbolismo-da-elevacao-a-companheiro&tmpl=component&print=1&page
GERVÁSIO de Figueiredo, Joaquim. Dicionário de Maçonaria –
ADOUM Jorge Grau do Companheiro e seus Mistérios –
DA CAMINO Rizzardo Simbolismo do Segundo Grau –
COSTA Frederico Guilherme O Grau de Companheiro por um Companheiro –
Ritual do Companheiro Maçom - GOB

terça-feira, 29 de março de 2011

Graus do Rito Escocês Antigo e Aceito

Simbólicos ou Tradicionais
1) Aprendiz
2) Companheiro
3) Mestre

Lojas da Perfeição ou Filosóficos
4) Mestre Secreto
5) Mestre Perfeito
6) Secretário Íntimo ou Mestre por Curiosidade
7) Preboste e Juiz ou Mestre Irlandês
8) Intendente dos Edifícios ou Mestre em Israel
9) Cavaleiro Eleito dos Nove Mestre Eleito dos Nove
10) Cavaleiro Eleito dos Quinze ou Ilustre Eleito dos Quinze
11) Sublime Cavaleiro dos Doze ou Sublime Cavaleiro Eleito
12) Grão-Mestre Arquitecto
13) Cavaleiro do Real Arco (de Enoch)
14) Grande Eleito da Abóboda Sagrada de Jaime VI ou Grande Escocês da Perfeição ou Grande Eleito ou Antigo Mestre Perfeito ou Sublime Maçom

Capítulos
15) Cavaleiro do Oriente ou da Espada
16) Príncipe de Jerusalém (Grande Conselheiro)
17) Cavaleiro do Oriente e do Ocidente
18) Cavaleiro ou Soberano Príncipe Rosa-Cruz

Areópagos
19) Grande Pontífice ou Sublime Escocês de Jerusalém Celeste
20) Soberano Príncipe da Maçonaria ou Mestre "ad Vitam" ou Venerável Grão-Mestre de todas as lojas
21) Cavaleiro Prussiano ou Noaquita
22) Cavaleiro Real Machado ou Príncipe do Líbano
23) Chefe do Tabernáculo
24) Príncipe do Tabernáculo
25) Cavaleiro da Serpente De Bronze
26) Príncipe da Mercê ou Escocês Trinitário
27) Grande Comendador do Templo ou Soberano Comendador do Templo de Salomão
28) Cavaleiro do Sol ou Príncipe Adepto
29) Grande Cavaleiro Escocês de Santo André da Escócia ou Patriarca dos Cruzados ou Grão-Mestre da Luz
30) Grande Inquisidor, Grande Eleito Cavaleiro Kadosh ou Cavaleiro da Águia Branca e Negra

Administrativos
31) Grande Juiz Comendador ou Grande Inspetor Inquisidor Comendador
32) Sublime Cavaleiro do Real Segredo ou Soberano Príncipe da Maçonaria
33) Soberano Grande Inspector-Geral.

Conclusão do A.'.M.'.

Esteio, 24 de fevereiro de 2011

Grande Oriente do Rio Grande do Sul
Loja Luz, Vida e Amor

Conclusão do Aprendiz Maçom

Venerável Mestre
Irmão Primeiro Vigilante
Irmão Segundo Vigilante
Caros Irmãos

Depois de freqüentar a nossa Loja, participar das Instruções de Aprendiz e fazer sobre cada uma delas uma peça de arquitetura, bem como me envolver em trabalhos, pesquisas e leituras, trago agora minha conclusão de meu aprendizado até o momento.
Sem sombra de dúvidas o mais marcante de tudo foi a iniciação. Não tem como negar isso, foi realmente algo novo, um abrir de olhos, um esclarecimento para uma nova vida. As viagens, os ensinamentos e a ritualística quando com os olhos vendados, serviram para muita coisa, mas a maior delas foi a formação de uma confiança que tive em todos na condução dos trabalhos. Cada segundo que passava, mais e mais despertava em mim a vontade do conhecimento, de me envolver com tudo o que estava acontecendo. Depois da retirada das vendas, o descobrimento da Luz, bela visão do Templo e, já tratado como irmão, mesmo que neófito, sorvia com prazer tudo o que me era transmitido.
Vieram então as sessões ritualísticas e as Instruções. A primeira nos mostrando toda a riqueza da simbologia maçônica. A segunda, nos mostrando a existência de um ser superior, o caminho que devemos trilhar, bem como nos foi apresentados mais figuras alegóricas. A terceira nos foi revelado e enfatizados os significados dos símbolos e alegorias pelos quais a Maçonaria revela seus segredos aos novos iniciados. A quarta instrução nos foi mostrado as dimensões do Templo e muito enfatizada a Moral Maçônica. Na quinta instrução nos trouxe ao conhecimento a simbologia dos números 1, 2, 3 e 4.
Mesmo quando a sessões não fossem de instruções, muita coisa nos foi ensinado, nos foi mostrado os caminhos que devemos trilhar, as escolhas que devemos fazer, contra o que devemos lutar, as verdades que devemos transmitir e aprende, as vaidades que devemos deixar de lados, como vencer nossas paixões, como escolher o que seguir e o que fazer, toda a atenção que devemos ter com o que e quem nos cercam.
Todas as instruções e mais alguns trabalhos solicitados pelo Irmão Primeiro Vigilante, foram cruciais para o meu crescimento como maçom. Fizeram com que eu olhasse para a vida com outros olhos, com isso eu estava iniciando o polimento de minha pedra bruta. Sei que muito ainda tenho de caminhar para alcançar meus objetivos, mas acredito que já estou engatinhando pelo caminho certo com a forma que estou sendo conduzido pelos Mestres nesta minha marcha.



Marcos Antonio Peruzzolo
Aprendiz Maçom

Quinta Instrução do A.'. M.'.

Esteio, 25 de novembro de 2010

Grande Oriente do Rio Grande do Sul
Loja Luz, Vida e Amor

Quinta Instrução

Venerável Mestre
Irmão Primeiro Vigilante
Irmão Segundo Vigilante
Caros Irmãos

A Quinta Instrução é a última do grau de Aprendiz Maçom.
Depois de conhecer o painel da Loja e de seus símbolos e emblemas, visto nas primeiras quatro instruções, esta servirá pra completar o conhecimento que todo aprendiz necessita para avançar em seu caminho para tornar-se justo e perfeito.
A Ciência dos números é conhecida e utilizada desde a antiguidade, sendo desde sempre, transmitida pelas iniciações.
Com relação à representatividade dos três primeiros números, temos:
Número 1 – (Mônoda) representa a unidade, o individualismo, o astro e o homem, isto é, o princípio ativo.
Número 2 – (Díada) significa o divisível, o símbolo do contrário, o antagônico ou o passivo com relação ao 1, assim sendo, sempre há um “oposto”: ao fogo a água; ao bem o mal; ao escuro a luz; à verdade a falsidade, ao homem a mulher; ao quente o frio; ao alto o baixo; à inércia o movimento; ao preto o branco. Por isso, na antiguidade representava o inimigo, símbolo da dúvida. Diz-se que o Aprendiz não deve se aprofundar no estudo deste número, pois ainda imaturo e fraco no entendimento das tradições, pode guinar para o caminho oposto. Mais uma razão para que o Aprendiz deve sempre ser orientado por um Mestre, quando não diretamente, que indague sempre os Mestres para saber se está no caminho certo. Para que as dúvidas cessem, há a necessidade de acrescer outra unidade para que o equilíbrio se estabeleça,
Número 3 – (Tríada) representa o equilíbrio, é atribuído à trindade de Deus, o pensamento o amor e a ação, a Tríade. Representa nossa “válvula de escape” da unidade e do binário, pois no Ternário, procedemos a conciliação do Binário e da Unidade. Três representa a Luz (Fogo, Chama e Calor), três são os pontos que o Maçom deve ser orgulhar de apor junto a seu nome, Três são as qualidades essenciais para todo o Maçom, Vontade, Amor e Inteligência e SEMPRE estas Três qualidades devem andar juntas, pois devem andar sempre em equilíbrio. De nada serve A Vontade e o Amor sem a Inteligência por não se saber como usar esta vontade cheia de amor, Nem somente o Amor com a Inteligência, mas se não se tiver Vontade, nada será feito. E de que adianta ter Vontade e Inteligência se falar o Amor? Do mesmo modo que individualmente cada uma destas qualidades não trarão nada a ninguém. De que adianta ter Vontade sem Amor e sem Inteligência? De que adianta se ter Amor se não se tem Vontade nem Inteligência? E fazer o quê com a Inteligência na fala do Amor e da Vontade?
O número três representa o espírito.
O número 3 é o primeiro número perfeito e completo em energia, pois somados o primitivismo do 1 ao antagonismo do 2, surge o equilíbrio, a expressão do absoluto, contendo o Ativo e o Passivo.
Podemos dizer que o mundo é real e triplo, pois se o homem se compõe de três elementos, o corpo, a alma e o espírito, o Universo é dividido em três esferas concêntricas, o mundo natural, o mundo humano e o mundo divino.
A Tríade também é a base da geometria, pois o triângulo é sua principal figura, embasa também a música, pois um acorde é composto de no mínimo três notas.
Faz parte da mais singular composição da família, o pai, a mãe e o filho, representando o Ativo, o Passivo e o Resultado.
No catolicismo encontramos demonstrada com grande insistência, como no Batismo, Crisma e Comunhão; Pai, Filho e Espírito Santo; e nas três virtudes teológicas: Fé, Esperança e Caridade. Três reis foram adorar o menino Jesus ao nascer, estes mesmos levaram três presentes, Pedro, mesmo tendo negado Cristo por três vezes, recebeu as três chaves do paraíso e até mesmo o Mestre, após sua morte, ressuscitou no terceiro dia.
Na Maçonaria também, e não poderia ser diferente, faz parte em infindáveis atributos relacionados ao três:
É composta por Aprendizes, Companheiros e Mestres;
O Templo é sustentado por três colunas, Sabedoria, Força e Beleza;
A divisa da Ordem é composta pelos conceitos de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, guardados por um dês seus mais significativos símbolos, o triângulo;
Uma Loja tem três jóias móveis e três jóias fixas;
A Idade do Aprendiz Maçom é de três anos;
Para sua aceitação percorre três viagens;
Dá-se três pancadas na porta para se “anunciar” à porta do Templo;
Adentrando ao Templo se faz com a Marcha por três passos;
No Cumprimento, tem-se o Tríplice e Fraternal Abraço;
O Toque também tem presente o três;
O mesmo acontece com a Bateria, são três golpes;
Na aclamação a palavra é repetida também por três vezes;
Três pontos que se deve usar junto ao nome na assinatura;
Também para alcançar o Grau de Mestre, deve subir os Três Primeiros Degraus;
A Maçonaria orienta-se principalmente pelas Três Primeiras Artes, a saber: a Gramática, a Lógica e a Retórica;
Temos também o telhamento que está ligado à configuração do três, onde há três respostas composta por tríplice analogia:
P- Que trazeis?
R- Amizade, Paz e Prosperidade...
P- A quem representais?
R- ...T.’.F.’.A.’. ...
P- Que vindes aqui fazer?
R- Vencer minhas paixões, submeter minhas vontades e fazer novos progressos na maçonaria.
Como vemos, a presença dos números em nossa vida profana é grande e muito maior ainda na simbologia Maçônica.



Marcos Antonio Peruzzolo
Aprendiz Maçom

Quarta Instrução do A.'. M.'.

Esteio, 07 de outubro de 2010

Grande Oriente do Rio Grande do Sul
Loja Luz, Vida e Amor

Quarta Instrução

Venerável Mestre
Irmão Primeiro Vigilante
Irmão Segundo Vigilante
Caros Irmãos

A Quarta Instrução, é dividida nitidamente em dois temas centrais. O primeiro, da Forma e Dimensões do Templo, bem como sua Sustentação, e o segundo tema, trata da Solidariedade, da Moral Maçônica e de como devemos agir na ajuda a nossos semelhantes e o combate à ignorância e o fanatismo.
Nosso Templo é um quadrilongo que se estende do Oriente, onde nasce a Luz, ao Ocidente, onde esta Luz é espalhada, bem como a ciência e a civilização, que surgiram no Oriente e se espalharam para o Ocidente, também a Doutrina do Amor, da Fraternidade e o Cumprimento da Lei vieram para o Ocidente a partir do Oriente. Sua largura vai do Norte ao Sul e sua altura do Zênite (Terra) ao Nadir (Céu). Isto quer dizer que não tem limites, compreendendo todo o universo.
O sustentáculo da Loja é feito por três Colunas, a Sabedoria representada pelo Venerável Mestre, a Força representada pelo Irmão Primeiro Vigilante e a Beleza representada pelo Irmão Segundo Vigilante. A Sabedoria deve nos orientar no caminho da vida, a Força deve nos animar a sustentar nossas vicissitudes e a Beleza deve adornar nossas ações, nosso caráter e nosso espírito. Estas colunas também representam Salomão pela Sabedoria, Hiram pela Força e Hiram Abif pela Beleza. Sabedoria, Força e Beleza também são conceitos de virtudes morais que todo o homem deve ter, principalmente o maçom, representando a Fé, a Esperança e a Caridade.

Estas são as três Luzes, as Três Colunas que são os sustentáculos de nossa Loja:

Venerável Mestre – – – –Irmão Primeiro Vigilante – – –Irmão Segundo Vigilante
Sabedoria – – – – – – – –Força – – – – – – – – – – – – Beleza
Salomão – – – – – – – – Hiram – – – – – – – – – – – – Hiram Abif
Oriente – – – – – – – – – Ocidente (Norte) – – – – – – –Ocidente (Sul)
Mundo Espiritual – – – –Mundo Material – – – – – – – –Mundo Material
Coluna Jônica – – – – – Coluna Dórica – – – – – – – – Coluna Coríntia
Minerva ou Atenas – – – Hércules – – – – – – – – – – –Artemis ou Diana Vênus
Verdade – – – – – – – – Justiça – – – – – – – – – – – – Harmonia
Esquadro – – – – – – – –Nível – – – – – – – – – – – – – Prumo

A segunda parte da Quarta Instrução, nos fala de que devemos combater com todas nossas forças à ignorância por ser ela a causa de todos os vícios e tem como princípios o “nada saber”, “saber mal o que sabe” e “saber outras coisas além do que deve saber”. Todo ignorante não tem a tolerância que todo homem deve ter, nem amor fraternal e nem mesmo respeito a si mesmo, perturbando com isso a sociedade como prega o verdadeiro maçom, evitando que o homem conheça seus direitos, fazendo com isso que o homem ignorante seja um escravo, por serem inimigos do progresso e da ciência impedem o conhecimento da verdade dos bons costumes do Bem e da Perfeição.
Devemos também combater o fanatismo por que o mesmo perverte a razão e conduz seus seguidores, em nome de um deus a praticarem atos condenáveis. Dentre o fanatismo existe a superstição, contrário a toda razão e idéias que se deve ter a Deus, transformando em uma religião de ignorantes, tornando-se os maiores inimigos da religião, da felicidade, da harmonia que deve existir entre os povos, tornando-se um tormento e um flagelo para a humanidade. Como combatemos isso? Com a Solidariedade, mas ao contrário que muitos pensam, a Solidariedade não somente entre os Irmãos Maçônicos, mas a solidariedade entre todos os homens. Somente fanáticos, ignorantes e supersticiosos podem pensar que dentre nossas práticas está o amparo a somente a nossos Irmãos, é claro que em igualdade de condições, devemos sempre amparar a estes por os conhecer e saber que são livres e de bons costumes, mas um de nossos princípios e tratar todos com igualdade, independente de credo, cor, raça ou facções políticas. Todo verdadeiro Maçom deve conhecer a seus Irmãos e notar se os mesmos estão se afastando da Moral e da Honra, estes não devem ser amparados por nós em detrimentos de profanos que levem em seus corações, mesmo não sendo Maçons, a Harmonia e o Amor Fraternal que buscamos em todos. Buscamos a solidariedade a quem pratica o Bem, a quem sofre com a ignorância e são deixados de lado pela sociedade. A Solidariedade e a Moral Maçônica deve estar junto com as causas justas e nobres.
Mesmo que nos nossos juramentos prometemos defender e ajudar nossos Irmãos, o fizemos sempre que o necessitarem, mas se ele se desviar da Moral que pregamos, tornando-se um mau pai, um mau filho, mau irmão, cego pela ambição, fugindo dos Bons Costumes, é ele que se afasta de nós, e não nós que nos afastamos dele. Não devemos cometer injustiças somente para auxiliar um Irmão se este não é merecedor. Nossa Ordem nos ensina a amar a Pátria e a sermos bons cidadãos e não seria justo auxiliar um Irmão que não segue nossos princípios em detrimento de qualquer pessoa que trabalha incansavelmente pelos interesses da Sociedade e da Pátria. A Maçonaria não é uma “fábrica de santos”, devemos sempre estar atentos a deslizes que porventura alguns de nós estejam cometendo em proveito próprio para galgar elevadas posições. Devemos tomar o máximo cuidado, pois por melhores que sejam nossas intenções de fazer dos que nos cercam em nossas Lojas, muitos se infiltram e podem corromper a outros.
Devemos nos educar, nos instruir, corrigindo nossos defeitos e ajudando a corrigir os defeitos que por ventura um Irmão possa a ter.
Nossa Fraternidade nos ensina a dar e não a pedir sem justa necessidade.
Devemos viver em Harmonia, procurar esta Harmonia com todas as nossas forças, pois isso irá fortalecer nossas colunas, devemos separar o joio do trigo para cada vez mais sermos fortes na busca da Moral e com a Sabedoria que nosso Venerável Mestre nos transmite, a Força que encontramos em nosso Irmão Primeiro Vigilante e a Beleza que nosso Segundo Vigilante nos ajuda a ornar nossos atos, fazer um mundo melhor, mais justo e perfeito para se viver.



Marcos Antonio Peruzzolo
Aprendiz Maçom

Terceira Instrução do A.'.M.'.

Esteio, 23 de setembro de 2010

Grande Oriente do Rio Grande do Sul
Loja Luz, Vida e Amor

Terceira Instrução

Venerável Mestre
Irmão Primeiro Vigilante
Irmão Segundo Vigilante
Caros Irmãos

A Terceira Instrução, ao contrário das duas anteriores onde foi enfatizados os significados dos símbolos e alegorias pelos quais a Maçonaria revela seus segredos aos novos iniciados e demonstram o caminho e a boa conduta que devemos seguir para nos tornar verdadeiros maçons, na terceira encontramos o conceito de Maçonaria, que é a união de escolhidos que seguirão uma doutrina, tendo por base o G.’.A.’.D.’.U.’., seguindo a regra natural das coisas, buscando a Verdade a Liberdade e a Lei Moral, tendo sempre como princípio a Igualdade, Fraternidade e o Progresso com a finalidade única de procurar a felicidade dos povos, sem preconceitos, sem distinção de credos, cores ou posição social e política.
Trás os deveres que o Maçom deve ter para consigo e para a sociedade que é venerar, sobre todas as coisas, o G.’.A.’.D.’.U.’., em todos os momentos, sem nada esperar em troca; tratar a todos, irmãos e profanos com igualdade e respeito, combatendo a ambição que nos assola e que atrapalha o convívio, bem como o orgulho que sempre devemos deixar de lado, procurando sempre fazer o bem livre de preconceitos; lutar contra todo e qualquer flagelo da Humanidade, a ignorância, os vícios, o fanatismo, pois isso atravanca o progresso de qualquer povo; dar a todos o direito de escolha, instruindo a fazer ver a estas pessoas qual a escolha que é condizente com a Moral; estar sempre pronto a ajudar as pessoas a encontrarem o melhor caminho a ser trilhado. Devemos fazer tudo isso por ter fé em tudo o que acreditamos, ter coragem de nos interpor quando a Moral está sendo deixada de lado, enfim, buscar sempre a fazer o Bem, independente dos obstáculos que teremos de transpor para alcançar nossos objetivos.
Fomos instruídos de como nos devemos fazer reconhecer Maçons, através do Sinal, do Toque e da Palavra bem como também o significado de cada um deles, a saber, o sinal como a honra de saber guardar os segredos que nos são dados a conhecer, preferindo ter a garganta cortada a revelar estes segredos; o Toque, certamente diferente em cada grau, nos fazer revelar em que grau nos encontramos e a Palavra, que tem como significado Beleza, Força e Apoio, não devendo ser pronunciada.
Para nos fazer lembrar porque estamos aqui, foi também relembrada que nossa vontade de sermos Maçons foi por sermos livres e de bons costumes e nos julgamos prontos para procurar a luz e entramos na Loja através de escolha e convite de um amigo que agora reconhecemos como Irmão, entrando despojados de qualquer metal para nos lembrar do estado primitivo da Humanidade, sem vícios.
A Loja que nos recebeu, para ser Justa e Perfeita deve ser governada por três irmãos, cinco que a compõe e sete a completam, sempre obedecendo a uma Potência Maçônica e que pratique rigorosamente todos os princípios da Maçonaria.
Para poder adentrar na mesma, iniciamos com três pancadas que significa “Batei e serei recebido”, Pedi e receberei”, “Procurai e encontrai”. Estes ensinamentos devem nortear nossa nova vida, se queremos ser recebido devemos mostrar humildade e bater à porta onde sabemos que iremos encontrar guarida, se precisarmos de apoio, de bons exemplos, de harmonia, de esclarecimentos para nossos atos, devemos pedir que prontamente seremos atendidos, se estamos procurando, como todo verdadeiro Maçom deve procurar, o melhor caminho para trilarmos, devemos procurar em nossos Irmãos que com certeza isso nunca será negado.
Nos foi brindado ainda com a lembrança das viagens que fizemos quando de nossa iniciação, com os olhos vendados, lembrando que as três viagens simbolizam a conquista de novos conhecimentos, os olhos vendados lembram as trevas e os preconceitos do mundo profanos que ora estamos deixando bem como a necessidade de que o homem tem de procurar a Luz, estávamos também com o pé direito descalço e o braço esquerdo e o peito desnudos para exprimir que eu dava meu braço a Instituição e meu coração a meus Irmãos, e o pé descalço, o respeito que devemos ter ao Templo. Cabe-me lembrar que no momento que estava sendo conduzido pelo interior do Templo, o fiz mesmo com o coração, sabedor que tudo o que estava sendo ritualisticamente feito, era para eu lembrar sempre da confiança que tenho de ter com meus agora Irmãos. Devo dizer também agora do orgulho que senti em todos os passos que dei vendado dentro do Templo, me sentindo uma ser privilegiado por estar sendo escolhido e posto à prova, provas e questionamentos que venci com certo receio mas com o coração leve de estar fazendo o melhor de mim.
Nada foi esquecido desta terceira instrução, as pontas do compasso em meu peito lembrando a vida profana, quando meus sentimentos e meus desejos não eram regulados pela exatidão, o compasso lembrando a relação dos Maçons com seus Irmãos e com todos os homens, traçando círculos menores e maiores, nos fazendo ver o extenso domínio que é o infinito, os três passos, formando com os pés um ângulo reto, significando a retidão necessária a quem deseja vencer na ciência e na virtude. A Pedra Bruta representando que tudo se encontra em estado imperfeito na natureza e, querendo continuar, devemos saber lapidá-la para sermos Justos e Perfeitos.
A Espada Flamejante tem o significado de defesa para a insubordinação, o vício e o crime sejam repelidos dos Templos e que a Justiça Maçônica seja rápida como os raios que desprendem da espada, emblema dos mais justos e nobres sentimentos.
O Esquadro no emblema do Venerável Mestre, significa que o chefe deve ter um único sentimento, o da retidão. O Nível, que adorna o colar o Irmão Primeiro Vigilante simbolizando a igualdade social. O Prumo, usado pelo Irmão Segundo Vigilante, significando que o verdadeiro Maçom deve ter retidão em seu julgamento. Tanto o Nível como o Prumo devem sempre usados juntos pois um completa o outro, não deixando o Maçom pender por amizades ou interesses, mas caminhar sempre com retidão.
Por último, a explicação de que o trabalho do Aprendiz inicia ao meio dia e finda à meia noite em homenagem a um dos primeiros instituidores dos Mistérios, Zoroastro, que reunia secretamente seus discípulos ao meio dia e terminava seus trabalhos à meia-noite, em um fraternal ágape.

Marcos Antonio Peruzzolo
Aprendiz Maçom

O Avental do Aprendiz Maçom

Esteio, 31 de outubro de 2010

Grande Oriente do Rio Grande do Sul
Loja Luz, Vida e Amor

Avental do Aprendiz Maçom

Venerável Mestre
Irmão Primeiro Vigilante
Irmão Segundo Vigilante
Caros Irmãos

Quando da solicitação que eu fizesse um trabalho sobre o porquê da abeta do Avental do Aprendiz Maçom ser levantada, feita pelo Irmão Primeiro Vigilante, pensei ser uma tarefa fácil e mentalmente pensei em dizer que a mesma era usada assim para proteger o coração do Aprendiz, recém chegada à Loja, suscetível a deslizes da vida profana, em relação ao avental usado na Maçonaria Operativa, usado para proteger o Aprendiz de lascas de pedras brutas no labutar de transformá-la em pedra polida.
Mas só isso não servia para mim, eu queria mais, eu vi que podia mais e, devidamente vestido de meu avental, pelo menos em pensamento, parti em busca de mais respostas e aprofundamento para este trabalho.
Claro que nos dias atuais, esta tarefa tornou-se um pouco menos difícil no que tange ao acesso de informações, mas muito mais difícil em agrupá-las de modo a ser recolhida, filtrada e transmitida a todos os irmãos.
Iniciei meu trabalho procurando a origem do Avental na Maçonaria e aqui cabe uma interpretação particular que acredito deva me seguir por toda minha vida maçônica que iniciou ao meio dia e terminará, penso eu, com minha passagem desta vida, ou seja a meia noite completa. Dedução que faço dos trabalhos maçônicos que iniciam ao meio dia e terminam à meia noite, isto é, como se nossas vidas fossem limitadas a um dia, até o meio dia foi minha vida profana, ao meio dia em ponto fui iniciado e a partir daí, minha nova vida, dedicarei meu tempo ao conhecimento, à razão, aos ensinamentos maçons que, espero eu só findem com minha troca de plano, que ocorrerá à meia noite.
Quero dizer com isso que a interpretação de simbolismos, de ritos seguirá minha vida a partir de agora e estas interpretações, deverão ser feitas em todos os momentos de agora em diante, claro que com o acompanhamento e orientação dos Companheiros e Mestres, mas de nada adiantará se não tiver meu pensamento engajado em tudo isso.
Dito isso posso continuar a vagar em informações e aceitá-los desde que minha própria razão esteja de acordo.
Voltamos ao Avental. Para isso devo ir além da Maçonaria Especulativa, além da Maçonaria Operativa. Quem foi, para muitos estudiosos, o primeiro Maçom? Devo dizer que me seduziu a idéia de que o primeiro Maçom foi Adão, pois quando criado pelo G.’.A.’.D.’.U.’., vivia ele em grande contemplação, em verdadeiro êxtase, vivia em união com Deus, momento em que a alma se funde com Deus. Quando ele foi “tentado” pela serpente, que para os hindus é o símbolo da razão, e para a própria igreja Cristã primitiva simbolizava a vitória de Cristo sobre o Demônio, como foi mostrado no deserto quando o mesmo vagou para jejuar e orar, na verdade ele foi convidado, foi chamado à razão, tirando-o do estado de êxtase e trazê-lo ao conhecimento da realidade, uma vez que sozinho ele não aprenderia nada, mas provando da árvore da vida ele teria condições de conhecer a verdadeira vida, conhecendo o Bem e o Mal. A partir daí, também simbolicamente, adotou uma folha de parreira que é, para muitos, o primeiro avental.
Outra simbologia sobre isso foi que Deus criou o Homem no sétimo dia, no término de sua criação e foi considerada sua obra perfeita. Na ciência dos números, o número 4 representa a matéria, Adão foi feito de terra vermelha, matéria. O número 3 representa o espírito, o sopro divino que deu vida a Adão. A soma é 7, um número perfeito, sagrado, muito estudado na Maçonaria. Significa dizer que o Homem, o sétuplo ser, a mais dileta das obras do G.’.A.’.D.’.U.’..
O Avental do Aprendiz Maçom também leva consigo este número, pois é composto comumente por um quadrado, ou retângulo, 4 lados, encimado por um triângulo, 3 lados, que na soma completam o número 7.
A abeta levantada no Avental do Aprendiz tem um significado material, pois na Maçonaria Operativa, servia para proteger seu peito quando o mesmo carregava as pedras para serem trabalhadas e no trabalho, protegia seu peito das lascas das pedras que o malho e o cinzel arrancavam da pedra bruta no trabalho de moldá-la, na realidade além de proteger fisicamente o corpo do Aprendiz já que normalmente era feito de couro de ovelha, servia também para proteger suas roupas. Já na Maçonaria Especulativa ou Moderna, tem um significado místico. A parte triangular, 3 lados, representa a parte espiritual, e a parte retangular, 4 lados, representa a parte material, como o Aprendiz ainda não é capaz de separar a vida espiritual da material, estas partes ainda não estão ligadas, estão separadas por um cordão, que também separa o corpo de quem usa o avental, da cintura para baixo é a parte material, procriadora, da cintura para cima, está a parte sensitiva, espiritual, que guarda o centro das forças.
O Avental do Aprendiz Maçom deve sempre ser usado com a abeta ou aba levantada, pois esta serve para proteger o chakra localizado na região do plexo solar, serve também para lembrar o Aprendiz Maçom que a parte espiritual (triangular) deve sempre estar acima da parte material (retangular).
Há algumas controvérsias no que tange a origem do Avental, mas é um legado da Maçonaria Operativa deixado para a Maçonaria Especulativa ou Moderna, mas seu significado para um Maçom é sempre a mesma, ligada intensamente ao trabalho que o mesmo deve exercer para seu aperfeiçoamento. É o símbolo do trabalho na construção do templo interior e símbolo das tarefas que devem ser cumpridas para o aperfeiçoamento de todo o Maçom.
Também é o símbolo do iniciado Maçom, representando sua prontidão para o trabalho e é o primeiro símbolo que o Novo Maçom recebe em sua iniciação com a instrução de que o mesmo deve SEMPRE ser usado em Loja, pois verdadeiramente é a vestimenta do verdadeiro Maçom.



Marcos Antonio Peruzzolo
Aprendiz Maçom