quarta-feira, 21 de março de 2012

O ESTRANHO


Alguns anos depois que nasci, meu pai conheceu um estranho, recém-chegado à nossa pequena cidade.
Desde o princípio, meu pai ficou fascinado com este encantador personagem, e em seguida o convidou a viver com nossa família.
O estranho aceitou e desde então tem estado conosco.
Enquanto eu crescia, nunca perguntei sobre seu lugar em minha família; na minha mente jovem já tinha um lugar muito especial.
Meus pais eram instrutores complementares:
Minha mãe me ensinou o que era bom e o que era mau e meu pai me ensinou a obedecer.
Mas o estranho era nosso narrador.
Mantinha-nos enfeitiçados por horas com aventuras, mistérios e comédias.
Ele sempre tinha respostas para qualquer coisa que quiséssemos saber de política, história ou ciência.
Conhecia tudo do passado, do presente e até podia predizer o futuro!
Levou minha família ao primeiro jogo de futebol.
Fazia-me rir, e me fazia chorar.
O estranho nunca parava de falar, mas o meu pai não se importava.
Às vezes, minha mãe se levantava cedo e calada, enquanto o resto de nós ficava escutando o que tinha que dizer, mas só ela ia à cozinha para ter paz e tranqüilidade. (Agora me pergunto se ela teria rezado alguma vez, para que o estranho fosse embora).
Meu pai dirigia nosso lar com certas convicções morais, mas o estranho nunca se sentia obrigado a honrá-las.
As blasfêmias, os palavrões, por exemplo, não eram permitidos em nossa casa… Nem por parte nossa, nem de nossos amigos ou de qualquer um que nos visitasse. Entretanto, nosso visitante de longo prazo, usava sem problemas sua linguagem inapropriada que às vezes queimava meus ouvidos e que fazia meu pai se retorcer e minha mãe se ruborizar.
Meu pai nunca nos deu permissão para tomar álcool. Mas o estranho nos animou a tentá-lo e a fazê-lo regularmente.
Fez com que o cigarro parecesse fresco e inofensivo, e que os charutos e os cachimbos fossem distinguidos.
Falava livremente (talvez demasiado) sobre sexo. Seus comentários eram às vezes evidentes, outras sugestivos, e geralmente vergonhosos.
Agora sei que meus conceitos sobre relações foram influenciados fortemente durante minha adolescência pelo estranho.
Repetidas vezes o criticaram, mas ele nunca fez caso aos valores de meus pais, mesmo assim, permaneceu em nosso lar.
Passaram-se mais de cinqüenta anos desde que o estranho veio para nossa família. Desde então mudou muito; já não é tão fascinante como era ao principio.
Não obstante, se hoje você pudesse entrar na guarida de meus pais, ainda o encontraria sentado em seu canto, esperando que alguém quisesse escutar suas conversas ou dedicar seu tempo livre a fazer-lhe companhia...
Seu nome?
Nós o chamamos Televisor...

(Autor desconhecido, pelo menos para mim)  

terça-feira, 13 de março de 2012

O DEFUNTO VISITANTE


Após solicitação da presidência do Conselho de Kadosch de Brasília para apresentação de um trabalho para uma elevação ao Gr.'. 30, na data marcada estava cumprida essa obrigação. Essa peça de arquitetura deveria ser publicada no Boletim do Supremo Conselho. Juntamente com esse trabalho foi enviada prancha ao Supremo Conselho comunicando também o falecimento do Ir.'.  Nicolas, o grego.
Para surpresa de todos, o Boletim do Supremo Conselho do Brasil não publicou o " trabalho " mas trazia na sua Coluna Fúnebre a relação dos Irmãos falecidos, e entre eles estava o meu nome completo: Innocêncio de Jesus Viégas.
Não demorou muito, os velhos amigos passaram a expressar suas condolências à suposta viúva. Entre inúmeras demonstrações de solidariedade algumas curiosas merecem destaque.
Um velho Ir.'. desejava comprar alguns livros de minha Biblioteca, outro também viúvo deixava transparecer nas entrelinhas o desejo de continuar o meu trabalho ao lado dela, não por questão de sexo, mas pela convivência, pois a solidão é muito dolorosa. Outro Ir.'. velho companheiro de farda comunicou em carta o meu comparecimento a uma sessão espírita onde havia deixado psicografada uma linda mensagem encorajadora a todos os IIr.'.
Apesar da correção posterior efetuada na publicação do Boletim do Supremo Conselho, aproveitei a estada do Ir.'. Raimundo do Or.'. de Boa Vista, em minha cidade e autografei um livro e mandei por este portador ao Am.'. Ir.'. Norberto Delegado do Grão Mestre daquele mesmo Estado.
Isso era Outubro de 1994, o Ir.'. Norberto recebeu o presente, ficou feliz, e logo em seguida recebeu o Boletim do Supremo Conselho, referente aos meses Julho/Agosto de 1994 e lá encontrou o meu nome como tendo falecido em Agosto  Esse Am.'. Ir.'. entre arrepios, não entendia como um morto em Agosto oferecia e assinava um livro em Outubro e após urgente contato telefônico com a suposta viúva que confirmava "eu estava vivo".
Um belo dia em viagens de negócios pelo Interior, desejei visitar os trabalhos de uma Loja onde sabia ter um velho companheiro de caserna. Quando cheguei já era tarde e já estavam trabalhando. Bati a porta como de costume e como resposta à ordem para esperar. Logo veio o 1º Exp.'. com o livro para colher a assinatura e levar a identidade civil e maçônica para a conferência do Ir.'. Orador.
Vou relatar aqui o que ocorreu lá dentro e que me foi contado pelo laborioso Ir.'. Secretário, que a tudo viu e ouviu e registrou em sua longa Ata.
Chega o Experto com o livro e as identidades. Entrega ao Orador. O velho guardião da lei lê atentamente. Logo empalidece ao descobrir um grande acontecimento e quase sem poder falar, olha para o Venerável Mestre e balbucia algumas palavras imperceptíveis. O Venerável pede gentilmente ao Orador para repetir suas palavras "um pouco mais altas".
O Orador, recobrando as forças, diz: "Venerável Mestre, algo de anormal está acontecendo. Esse Ir.'. que bate à porta do nosso Templo é o falecido Innocêncio aquém na última sessão prestei solene homenagem pelo seu passamento, e agora, diante de seus documentos, não sei o que fazer. Quero ajuda de algum Ir.'. entendido em coisas do outro mundo para clarear essa fantasmagórica situação!".
O Mestre de Harmonia diante do caso querendo colaborar com a ocasião colocou em surdina a marcha fúnebre de Mozart. Aprendizes e companheiros, admirados e congelados, aguardavam os desfecho. Todos os irmãos passaram a sentir arrepios. O medo era geral. Um dos IIr.'. dizendo-se entendido no assunto, se ofereceu para assumir o comando da situação e passou a pedir calma a todos. Fechou os olhos respirou ofegante, estendeu os trêmulos braços na horizontal, e falou com voz rouca: "O Ir.'. Innocêncio veio pedir luzes. Você, Ir.'. Orador, o elogiou bastante na sessão passada e ele quer agradecer. Pensa que ainda está materialmente entre nós. Deixai que entre".
Eu lá fora, inquieto com tanta demora, resolvi ir ao banheiro. Nisso a porta se abre e o Ir.'. cobridor não me vê na sala. Morrendo de medo, imediatamente fechou a porta e anunciou: Ir.'. 1º Vigilante, o fantasma foi embora! ".
Com o abrir da porta interrompi o que estava fazendo e voltei imediatamente pensando em entrar logo, mas logo me dei conta que a porta estava fechada. Esperei um pouco, fiquei de costas para a dita porta, olhando as fotografias dos futuros IIr.'. que estavam coladas nos editais.
Abre-se a porta outra vez. Era o Mestre de Cerimônias que espiava só com um olho. Voltei a cabeça e esbocei um sorriso. E a porta foi fechada abruptamente. Bem, já que não vou entrar - pensei - vou terminar o serviço que bruscamente havia interrompido, e fui para o banheiro outra vez.
Dentro do Templo, o Mestre de Cerimônias informava solenemente que eu estava lá fora o cobridor, sem acreditar, imediatamente abre a porta e mais uma vez nada vê. Aí pirou de vez. O suposto médium passa a consolar o cobridor, dizendo-lhe que não era vidente e por isso não conseguia ver o espírito do Ir.'. Innocêncio, mas que fizesse um esforço concentrado que logo conseguiria.
A essa altura um Ir.'. pede a palavra "pela ordem" e solicita ao Venerável retirar do Templo os aprendizes e os companheiros, que ainda não se achavam em condições de assistir esse encontro de um morto com os vivos em Loja. Aprovada a solicitação, o Venerável pede ao Mestre de Cerimônias que retire os aprendizes e companheiros.
Logo um nervoso companheiro pede a palavra, antes de ser cumprida a ordem do Venerável, e questiona que não era justo sair e ter que ficar na sala dos p p. com o defunto. Todos concordaram com a ponderação e o Venerável revogou a ordem.
Contornada a situação o Venerável pede ao Mestre de Harmonia a execução de música mais suave para receber o Ir.'. finalmente, abre-se a porta, a música suave da Ave Maria me deixa todo emocionado.
Entrei, fiz o que normalmente se faz e esperei a ordem do Venerável para tomar assento o silêncio dominava a cena. O Venerável disse: "vinde saudoso Ir.'. ao encontro de seus IIr.'. que, emocionados, lamentam a vossa desencarnação. Acomodai-vos no Oriente onde é o vosso lugar!".
Saí passo a passo meditando sobre aquelas palavras. Logo reconheci o velho Ir.'. que era o Orador e olhei para ele com ar de riso. Ele fechou os olhos e baixou a cabeça tristemente. O Venerável Mestre, olhando-me bem firme, disse: "O pranteado Ir.'. vem deixar a sua mensagem, estamos prontos, podeis fazer uso da palavra se esse for o vosso desejo".
Lá fora chovia bastante e vez por outra se podia ouvir o ribombar dos trovões e perceber o clarão dos relâmpagos. Coincidência ou não quando levantei para fazer uso da palavra, uma enorme claridade iluminou tudo e um ensurdecedor barulho de trovão nos deixou estarrecidos.
A luz elétrica imediatamente apagou, ficando apenas as luzes tímidas das velas a iluminar o recinto ao mesmo tempo em que a gritaria na Loja foi desesperadora. Todos querendo sair ao mesmo tempo, uns caindo sobre outros. Pisotearam o Ir.'. cobridor que jazia inerte, todo amarfanhado, e foi imediatamente arrastado para fora por um Ir.'. mais corajoso.
Fiquei só, dentro da Loja. Em vista disso, também com as pernas trêmulas depois de tamanho susto, aproveitei para sair da Oficina e aí ouvi um grito vindo lá de fora: "Lá vem à alma penada!..." E a correria rumo ao portão da frente foi geral e só alguns "sem pernas" ficaram na sala dos p.p. Só aí, depois de ter sido chamado de "alma penada", pude entender todo o desespero dos IIr.'. e imediatamente tratei de esclarecer o que realmente acontecera, que eu estava vivo que foi um erro de publicação do Boletim e que já estava sendo retificado.
A maioria já tinha ido embora para casa não sei como, inclusive o Orador, o meu velho amigo. Nisso volta o falso médium e, ainda ressabiado, olha para dentro e sem entender aquele silêncio, brada com voz enérgica própria dos doutrinadores "Irmão do Além, já passa da meia-noite! A vossa hora terminou. Ide em paz e o senhor vos acompanhe!...".
O Venerável Mestre, um nordestino bem brabo, olha para o falso médium e diz: "deixa de ser frouxo, cabra da peste! Olha a tua calça como está toda molhada. E pelo cheiro forte, não é água da chuva, não! Não estás vendo que o Ir.'. está vivo?".
A gargalhada foi geral. O Venerável pediu mil desculpas e como apreciador das boas coisas, convidou a todos para comemorar a minha "ressurreição". E disse mais: "Quem correu, perdeu!".
O resto da noite foi curta para recordamos o episódio, bebericar o gostoso vinho e rir à vontade dos "corajosos Ir.'. " Que jamais esquecerão " O DEFUNTO VISITANTE ".

Autor: Ir.'. Innocêncio Viégas         -        
Conto Resumido do Livro Contos, Cantos e Encantos   -

terça-feira, 6 de março de 2012

Com o chegar à Loja

Este texto não tem autor, pelo menos assim como está no momento, pode ser de vários autores que alguém um dia reuniu neste formato.
É excelente para ler a qualquer momento, ler e reler sempre.


Qual o estado de ânimo do maçom ao chegar a Loja?

 1º - Cumprimentar seus irmãos com alegria e ser amável ao abraçar cada um, demonstrando a satisfação em participar daquela reunião.
2º - Se necessário, ajudar na preparação da loja e aproveitar a oportunidade para ensinar aos aprendizes os porquês de cada objetivo e seu significado.
3º - Procurar cumprir e estimular os Irmãos para que a reunião tenha início no horário previsto.
4º - Abandonar os problemas ditos "profanos" antes de entrar na sala dos passos perdidos.
5º - Tudo o que for realizar, faça com amor e gratidão, pois muitos desejariam estar participando e não podem.
Lembre-se: MAÇONARIA ALEGRE E CRIATIVA DEPENDE DE VOCÊ (SABER-QUERER-OUSAR-CALAR)

Você pretende ir à Loja hoje?
1º - Sua participação será sempre mais positiva quando seus pensamentos forem mais altruísticos.
2º - Participação positiva será daquele que, com poucas palavras, conseguir contribuir muito para as grandes realizações.
3º - Ao falar, passe pelo crivo das "peneiras", seja sempre objetivo e verdadeiro em seu propósito. Peneiras: 1) Verdade 2) Bondade 3) Altruísmo.
4º - Às vezes um irmão precisa ser ouvido; dê oportunidade a ele para manifestar-se.
5º - Falar muito quase sempre cansa os ouvintes e pouco se aproveita. Fale pouco para que todos possam absorver algo de importante e útil que você tenha a proferir.

 Entendendo meus irmãos.
1º - Eu não posso e não devo fazer julgamentos precipitados daqueles que comigo convivem.
2º - Estamos todos na escola da vida aprendendo a relacionar-nos uns com os outros, e o discernimento é diferente de pessoa para pessoa.
3º - Quanta diversidade existe nas formações individuais. Desejar que o meu Irmão pense como eu é negar a sua própria liberdade.
4º - Temos a obrigação de orientar, ensinar, mas nunca impor pontos de vista pessoais inerentes ao nosso modo de ver, sentir e reagir.
5º - Não é por acaso que nos é sempre cobrada a tolerância. Devo aprender a ser tolerante primeiro comigo mesmo e, então, estende-la aos demais.

 Dia de reunião! Você já sabe o que tem a fazer?
1º - Hoje é dia de reunião, vou dar uma lida no meu ritual para não esquecer os detalhes!
2º - Mesmo que eu já saiba de cor o ritual, não devo negligenciar meu cargo ou minha função em Loja.
3º - Se o irmão cometer alguma falha, corrija: se possível, com discrição, sem fazer disso motivo de chacota e gozação.
4º - Quando a cerimônia é desenvolvida por todos de forma consciente e com amor, todo o ambiente reflete a atmosfera de paz e tranqüilidade entre todos.
5º - O ritual deve ser cumprido em todos os seus detalhes. Quando participado com boa vontade, tudo fica mais belo, sem falhas, sem erros, proporcionando um bem estar geral.

Como devo me apresentar em loja?
1º - O templo é o lugar onde acontece a reunião dos Irmãos imbuídos do desejo de evoluir e contribuir para a evolução dos demais.
2º - Valorizar a reunião, apresentar-se com sua melhor roupa, ou seja:
Despido de toda maldade, manter os pensamentos nobres e altruísticos, valorizando cada Irmão e cumprindo com todas as regras existentes.
3º - Traje limpo, com bom aspecto, revela a personalidade de quem o usa e influenciará diretamente no relacionamento entre os participantes daquela reunião. Tomemos cuidado, pois!
4º - Aquele que é fiel no pouco será fiel no muito, aquele que é infiel no pequeno será igualmente infiel no grande. Cuidado com os relapsos, eles não respeitam nem a si próprio!
5º - Bom seria que todos fossem responsáveis; cabe a cada um de nós criticar construtivamente, visando sempre ao progresso do Irmão imaturo cujo comportamento nos causa constrangimento.

 Elegância.
1º - Como é gratificante constatarmos a elegância de um Irmão; verificar em seu comportamento a expressão de uma educação fina e irrepreensível.
2º - É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
3º - A elegância deve nos acompanhar desde o acordar até a hora de dormir; devemos manifestá-la sempre, nos mais simples relacionamentos, onde não existam fotógrafos nem câmeras de televisão.
4º - Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando para só depois mandar dizer se atende.
5º - Se os amigos, os Irmãos, não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-la. Educação enferruja por falta de uso.
E, detalhe, não é frescura.
É A ELEGÂNCIA DO COMPORTAMENTO...

 O Iniciado
1º - Quando vossos olhos se abriram para a verdadeira luz, uma infinidade de objetos, novos para o vosso entendimento, atraiu a vossa atenção.
2º - As diversas circunstâncias que rodearam a vossa recepção, as provas a que fostes submetidos, as viagens que vos fizeram efetuar e os adornos do templo em que vos encontraste, tudo isso reunido deveria ter excitado a vossa curiosidade, e para satisfazê-la não há outro caminho senão o da
busca do conhecimento e da verdade.
3º - A maçonaria, cuja origem se perde na noite dos tempos, teve sempre por especial escopo agremiar todos os homens de boa vontade que, convencidos da necessidade de render sincero culto à virtude, procuram os meios de propagar o que a doce e sã moral nos ensina.
4º - Como esses homens desejam trabalhar nessa obra meritória com toda tranqüilidade, calma e recolhimento, reúnem-se para isso nos Templos Maçônicos.
5º - Os verdadeiros Maçons trazem constantemente na sua memória não somente as formas gráficas dos símbolos maçônicos, como, e muito principalmente, as grandes verdades morais e científicas que os mesmos representam. Sejamos então todos verdadeiros.

 Livre e de bons costumes.
1º - Para que um candidato seja admitido à iniciação, a maçonaria exige que ele seja "livre e de bons costumes".
2º - Existindo os servos, durante a idade média, todas as corporações exigiam que o candidato a Aprendiz para qualquer ofício tivesse nascido livre", visto que, como servo ou escravo, ele não era dono de si mesmo.
3º - De bons costumes por ter orientado sua vida para aquilo que é mais justo, mais elevado e perfeito.
4º - Essas duas condições tornam o homem qualificado para ser maçom e com reais possibilidades de desenvolver-se a fim de tornar-se um ser perfeito.
5º - Verdadeiro Maçom é: "Livre dos preconceitos e dos erros, dos vícios e das paixões que embrutecem o homem e fazem dele um escravo da fatalidade.

 O que não devo esquecer.
1º - A maçonaria combate a ignorância, de todas as formas com que se apresenta.
2º - Devo cultivar o hábito da leitura para enriquecer em conhecimento, ajudar de forma consciente todos aqueles que estão a minha volta.
3º - Estar atento e lembrar sempre a meus irmãos que um maçom tem de ter uma apresentação moral, cívica, social e familiar sem falhas ou deslize de qualquer espécie.
4º - Não esquecer: as palavras comovem, mas os exemplos arrastam! Tenho, como Maçom que sou, de servir sempre de exemplo, em qualquer meio que estiver.
5º - Lutar pelo princípio da eqüidade, dando a cada um, o que for justo, de acordo com a sua capacidade, suas obras e seus méritos.

 O tronco de beneficência.
1º - Possui várias denominações, como: Tronco de solidariedade, de Beneficência, dos Pobres, da Viúva, etc.
2º - A segunda bolsa é conduzida pelo Hospitaleiro, que também faz o giro, obedecendo a hierarquia funcional; oferece a bolsa aos Irmãos sem olhar para a mão que coloca o óbolo.
3º - Contribuir financeiramente para a beneficência é um dos deveres mais sérios de todo maçom, uma vez que, junto com o seu óbolo, lança os "fluidos espirituais" que o acompanham, dando afinal muito mais que os simples valores materiais.
4º - "Mais bem aventurado é o que dá, do que o que recebe", é um preceito bíblico que deve estar sempre em nossa mente.
5º - Quando colocamos o nosso óbolo, devemos visualizar o destinatário, enviando-lhe nosso carinho e votos de prosperidade.


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O Cargo de Chanceler


Esteio, 05 de março de 2012



Grande Oriente do Rio Grande do Sul
Loja Luz, Vida e Amor



O Cargo de Chanceler


Venerável Mestre
Irmão Primeiro Vigilante
Irmão Segundo Vigilante
Caros Irmãos



Definição de Chanceler: Chanceler ou cancelário (do Latim cancellarius: guarda da cancela que separava público de um tribunal de justiça) é um título atribuído em diversas instituições cuja organização é inspirada no Império Romano. A função de chanceler ou cancelário pode ser diferente de instituição para instituição.
Na Maçonaria é o Guardião do selo, para poder imprimi-lo nos documentos da Loja. É também o responsável pelo cadastro dos obreiros.
Sua jóia é o Timbre ou Chancela, é somente um símbolo do cargo, não tendo nenhuma simbologia maçônica..
O Cargo de Chanceler tem por objetivo o controle de presença dos IIr.`. do Quadro e dos Visitantes, mantidos estes registros em livros próprios para tal.
Temos duas etapas diferentes, uma fora dos trabalhos da Loja e outro dentro da Loja.
No inicio é função do Chanceler colocar os livros de presença dos IIr.`. do Quadro e dos Visitantes no local apropriado, verificar se todos os IIr.`. e os Visitantes assinaram os livros de presenças.
No inicio dos trabalhos, em algumas potências, dentro da Loja o Ven.`. Mest.`. pergunta ao Chanceler se o numero é legal", e o Chanceler responde, "SIM", desde que tenha presença de no mínimo sete IIr.`., dos quais três MM.`.MM.`..
Na seqüência deve o Chanceler verificar no Livro de Presenças se todos os IIr.`. presentes o assinaram e quantos somam no total. Verificar também se não houve nenhum esquecimento.
Enviar para o Ir.`. Orad.`. os nomes dos IIr.`. Visitantes, suas Lojas, Orientes, Potência, e Grau, e providenciar o Certificado de Presença aos IIr.`. Visitantes.
É também de responsabilidade do Chanceler informar a Loja quais os IIr.`. que tem presença suficiente para votar em Eleições de Grão Mestre, Ven.`. Mest.`. e de todos os outros Cargos da Loja.
Também tem como função, oficiar os associados que venham a exercer o limite de faltas permitidas, solicitando-lhes justificativas ou comunicando-lhes eventuais conseqüências.
Deve também, a cada sessão, verificar os faltantes e, se estes não justificaram antecipadamente uma justificativa, manter contato com os mesmos para saber do motivo da falta, comunicando às Luzes da Loja o resultado deste levantamento.
Confirmar regularidade suficiente para a concessão de Aumento de Salário e confirmar as presenças nos Escrutínios Secretos.
Fica também a seu cargo a informação aos IIr.`. das Efemérides da semana, Aniversários Casamentos, Iniciação, Elevação, Exaltação e Instalação dos IIr.`. Cunhadas e Sobrinhos.
É também levado até ele para a assinatura do registro de presença, os Ir.`. do quadro da Loja ou Ir.`. visitantes que adentrem na Loja depois de abertos os trabalhos. Estes Ir.`. devem ser conduzidos pelo Mestre de Cerimônias até o Chanceler, que os recebe com o sinal do Grau e solicita sua assinatura no livro de presença.
É também o responsável pelo fechamento e chancela simbólica dos Sacos de Propostas e Informações e do Tronco de Solidariedade depois do giro destes dentro da Loja.
Acho que é muito gratificante o exercício deste cargo, pois serve para uma aproximação maior com todos os Ir.`., serve para se conhecer todos pelos nomes em um espaço menor de tempo e querendo ou não, como forma de responsabilidade, se é obrigado a estar sempre em pé e à ordem, não podendo se afastar dos trabalhos da Loja. É de grande valia também a forma que o cargo permite em ajudar a todos os IIr.`. no que diz respeito a presenças, ao controle de tempo e assiduidade nas sessões, os avisos, as efemérides e o contato verbal para as justificativas. É muito bom poder falar com todos fora do dia de nosso encontro.



Marcos Antonio Peruzzolo
Companheiro Maçom

sábado, 7 de janeiro de 2012

Ordem DeMolay

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Atual Emblema da Ordem DeMolay

Bandeira da Ordem DeMolay

A Ordem DeMolay é uma sociedade discreta de princípios filosóficos, fraternais, iniciáticos e filantrópicos, patrocinada pela Maçonaria, para jovens do sexo masculino com idade compreendida entre os 12 e os 21 anos. Fundada nos Estados Unidos dia 18 de março de 1919, em Kansas City, Missouri, pelo maçom Frank Sherman Land, é patrocinada e apoiada pela Maçonaria, oficialmente desde 1921, que na maioria dos casos cede espaço para as reuniões dos Capítulos DeMolay e Priorados da Ordem da Cavalaria - denominações das células da organização.
A Ordem é inspirada na vida e morte do nobre francês Jacques de Molay, 23º e último Grão-Mestre da Ordem dos Templários, morto em 18 de março de 1314 junto a outros membros da Ordem por contestar as falsas acusações de pratica de diversos crimes, entre eles heresias e infidelidade à Igreja, arquitetadas pelo Rei Filipe IV de França, podendo-se acreditar que o motivo de tais acusações fosse a ambição de Filipe pelas posses da Ordem dos Templários, pois em caso de prisão, os bens do acusado passariam a pertencer ao Estado francês.
A Ordem Demolay possui cerca de 4 milhões de membros em todo o mundo e mais de 200 mil no Brasil. O DeMolay que completa 21 anos de idade, é denominado Sênior DeMolay e passa a acompanhar os trabalhos do Capítulo através da "Associação DeMolay Alumni". No Brasil, distribuídos em mais de setecentos Capítulos, os milhares de DeMolays regulares de todos os Estados da federação se reúnem freqüentemente.
No mundo, a Ordem DeMolay pode ser encontrada em: Aruba (Países Baixos), Alemanha, Austrália, Bolívia, Brasil, Canadá, Colômbia, Estados Unidos, Filipinas, Guam (Estados Unidos), Itália, Japão, México, Panamá, Paraguai, Perú e Uruguai.
No dia 08 de abril de 2008, o Estado de São Paulo estabeleceu o Dia do DeMolay, através da Lei Estadual nº 12.905, a ser comemorado anualmente no dia 18 de março. Em 19 de janeiro de 2010, foi promulgada a Lei Federal nº 12.208 que insituiu o dia 18 de março como o Dia Nacional do DeMolay, seguindo o exemplo paulista, sendo que a escolha da data marca o falecimento de Jacques de Molay, herói mártir da Ordem.
Princípios
Os princípios da Ordem são baseados em virtudes como a fraternidade e o companheirismo, incentivando cada membro a trilhar seu caminho seguindo preceitos, que são considerados pela Ordem, diferenciais na vida de um líder e determinantes para seu destino.
Os baluartes da Ordem são a defesa das Liberdades:
"Religiosa" representada pelo Livro Sagrado.
"Civil", representada pela Bandeira Nacional.
"Intelectual", representada pelos Livros Escolares.
Assim prescreve a ética de um DeMolay:
Um DeMolay serve a Deus;
Um DeMolay honra todas as mulheres;
Um DeMolay ama e honra seus pais;
Um DeMolay é honesto;
Um DeMolay é leal a ideais e amigos;
Um DeMolay executa trabalhos honestos;
Um DeMolay é cortês;
Um DeMolay é sempre um cavalheiro;
Um DeMolay é um patriota tanto em tempo de paz quanto em tempo de guerra;
Um DeMolay sempre permanece inabalável a favor das escolas públicas;
Um DeMolay é o orgulho de sua Pátria, seus pais, sua família e seus amigos;
A palavra de um DeMolay é tão válida quanto sua confiança;
Um DeMolay, por preceito e exemplo, deve manter os elevados níveis aos quais ele se comprometeu.
Sete Virtudes Cardeais de um DeMolay
A Ordem DeMolay invoca sete luzes, simbolizando as sete virtudes cardeais de um DeMolay, que iluminam seus caminhos conforme passam pela estrada da vida, simbolizando tudo que é bom e correto, a base de suas vidas.
Amor Filial: é o amor e carinho que devemos ter por nossos pais, que nos semearam, geraram, nos ensinaram as primeiras lições de nossas vidas e se sacrificaram por nós. Através deles nós tivemos as primeiras lições de educação, respeito e na crença em Deus.
Reverência pelas Coisas Sagradas: significa a crença em Deus, não importando a sua religião. Para ser um DeMolay o jovem tem que ter fé Nele e provar o quanto ama e deseja servir a Deus.
Cortesia: cortesia, educação e solidariedade são princípios que um DeMolay procura por em prática usando a filantropia, mas somente válida quando é feita com sentimento, colocando o coração naquilo que faz. Os DeMolays possuem o seguinte pensamento:
"Para ser útil à sociedade não é necessário ser um DeMolay, mas para ser um DeMolay é necessário ser útil à sociedade".
Companheirismo: é ser um amigo leal, tanto nas horas boas quanto nas ruins. O verdadeiro companheiro e amigo é aquele que estende a mão para um Irmão em momentos de dificuldade. Companheirismo é levar uma chama de amizade no coração, para que, quando um amigo estiver no meio do túnel, ela possa iluminar e mostrar onde está a saída.
Fidelidade: é sempre acreditar em seus ideais e virtudes, mantendo em segredo tudo aquilo que lhe for ensinado. É ser fiel a Deus, à sua Pátria e a seus amigos, seguindo o exemplo de fidelidade de Jacques DeMolay, que preferiu morrer a trair seus Irmãos ou faltar com seu juramento.
Pureza: é ser um cidadão idôneo, puro de alma e de coração; é sempre estar de bem com a própria consciência. É manter a mente longe de tudo que vá contra os princípios de um bom cidadão.
Patriotismo: é respeitar e defender a nossa Pátria, nosso Estado e nossa Cidade e, além disso, conservar tudo que diz respeito ao patrimônio público, como escolas, asilos, orfanatos e hospitais, que prestam ajuda às pessoas mais carentes de nossa sociedade.
Graus
Assim como a Maçonaria possui o Corpo das Lojas de Perfeição após as Lojas Simbólicas, a Ordem DeMolay também se divide em dois Corpos. O primeiro, envolve os dois primeiros Graus: o Grau Iniciático e o Grau DeMolay, podendo ser comparado às Lojas Simbólicas. O segundo envolve os graus históricos, filosóficos e honoríficos, que compõe da Ordem da Cavalaria.
Os Graus básicos da Ordem DeMolay são o Grau Iniciático e o Grau DeMolay. Os DeMolays desses graus trabalham em Capítulos. Os Graus da Cavalaria são trabalhados em Priorados (ou Conventos).
Grau Iniciático
Primeiro grau da Ordem DeMolay, onde os DeMolays recém iniciados ingressam quando são admitidos em um Capítulo e refletem sobre a Cerimônia de Iniciação.
O Primeiro Grau DeMolay[3], chamado Grau Iniciático, é baseado nas Sete Virtudes Cardeais de um DeMolay: amor filial, reverência pelas coisas sagradas, cortesia, companheirismo, fidelidade, pureza e patriotismo. O ingresso na Ordem exige do candidato no mínimo um esboço dessas Sete Virtudes, sendo esse Grau responsável por esculpi-las e valorizá-las, fazendo com que o jovem as honre e dignifique ainda mais em sua vida diária. É ainda nesse Grau que o jovem possui o primeiro contato com o esoterismo oferecido pela Ordem, através de toda a simbologia incutida na disposição dos objetos dentro da Sala Capitular, nos Oficiais das sessões e em seus paramentos, e principalmente na ritualística que rege as sessões. É durante esse Grau que ocorre o contato de maior valor com a Ordem, pois se define a qualidade que terá o jovem como DeMolay ativo. Portanto, despertar o interesse sobre a Ordem da forma correta é um trabalho delicado e muito importante, para que se tenha resultados dos ensinamentos oferecidos por ela no dia a dia de seus membros.
Grau DeMolay
Segundo grau da Ordem, alcançado somente pelos DeMolays mais esforçados, que após demonstrarem merecimento e conhecimentos adquiridos na convivência capitular e estudos pertinentes ao Grau Iniciático. A aquisição do grau varia de acordo com requisitos pré-estabelecidos, tais como: idade mínima, tempo decorrido após a iniciação e mérito no cumprimento das tarefas oferecidas pelo grau em que se encontra. Antes de receber o Grau DeMolay deve-se fazer um exame de proficiência onde são testados os conhecimentos do iniciático sobre o juramento da Ordem.
Ordem dos Escudeiros da Távola Redonda
A Ordem dos Escudeiros Távola Redonda é uma organização internacional, fundada em 1995, patrocinada pela Ordem DeMolay, feita para crianças, do sexo masculino, entre sete e doze anos, buscando auxiliar a criança na construção de seu desenvolvimento intelectual, visando à formação de um melhor cidadão para o futuro.
O nome “Távola Redonda”, relacionado à lenda do Rei Artur, foi escolhido porque aquela antiga ordem possuía os mais elevados ideais de serviço, perfeição, camaradagem e igualdade entre os Cavaleiros. Dessa forma, a lenda é usada como ferramenta lúdica para o desenvolvimento pedagógico de suas cerimônias e objetivos.
A Távola de Escudeiros é o nome dado à unidade de cada agrupamento de escudeiros. (Ex: Capitulo, Loja, Bethel, Assembléia). Por ser cada Távola um apêndice do Capitulo que a patrocina, a mesma deve levar, preferencialmente, o nome do Capitulo patrocinador. Cada Távola possui uma administração própria, composta de cargos que são ocupados pelos Escudeiros.
O propósito da Ordem dos Escudeiros da Távola Redonda é contribuir para que as crianças, ao chegar a sua adolescência, assumam seu próprio desenvolvimento, especialmente do CARÁTER, ajudando-as a realizar suas plenas potencialidades físicas, intelectuais, sociais, afetivas e espirituais, como cidadãos responsáveis, participantes e úteis à comunidade, de forma autônoma e consciente.
Os princípios que alicerçam a Ordem dos Escudeiros são:
Sabedoria;
Verdade;
Justiça.
Os métodos utilizados pela Ordem dos Escudeiros caracterizam-se pelo conjunto dos seguintes pontos que orientam o trabalho educativo desenvolvido com as crianças:
Promessa de ser um melhor filho;
Cerimônias Ritualísticas;
Vida em equipe;
Atividades Progressivas, atraentes e variadas.
Desenvolvimento pessoal com orientação.
Aprender fazendo.
Ordem da Cavalaria

Brasão da Ordem da Cavalaria

Os Nobres Cavaleiros da Ordem Sagrada dos Soldados Companheiros de Jacques DeMolay, mais conhecidos como Ordem da Cavalaria, são uma organização complementar da Ordem DeMolay cujo objetivo principal é o aprimoramento moral e filosófico de seus membros, que se reunem em Conventos (SCODB) ou Priorados (SCODRFB). A admissão é concedida a DeMolays que tenham 17 anos ou mais e receberam o Grau DeMolay ao menos 6 meses antes da Investidura, o nome dado à Iniciação a esta Ordem.
O primeiro Convento foi fundado em 27 de outubro de 1947 e a primeira Investidura ocorreu em 10 de janeiro de 1948 em Kansas City, Missouri, EUA. Enquanto no Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil existem 11 graus, no Supremo Conselho da Ordem DeMolay para a República Federativa do Brasil existem 2 graus, que são os mesmos que foram trazidos ao Brasil em 1993, quando o primeiro Convento brasileiro foi fundado, no Rio de Janeiro.
Graus:
No Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil (a partir de 2005):
Cavaleiro
Série Histórica:
Cavaleiro da Capela
Cavaleiro da Cruz de Salém
Ex-Templário
Tríade Tableau (concedido sempre imediatamente antes do Grau de Tríade)
Série Filosófica:
Ébano
Anon
Cavaleiro da Cadência
Série Honorífica:
Comendador da Cavalaria (último a ser concedido no Brasil)
Grande Cruz da Cavalaria
Cavaleiro do Manto Prateado
No Supremo Conselho da Ordem DeMolay para a República Federativa do Brasil (desde sua fundação, em 2004):
Cavaleiro
Ébano
Porém, como decisão do Supremo Conselho da Ordem DeMolay internacional, os priorados (como é chamado cada grupo de cavaleiros) agora podem assumir os graus filosóficos do Supremo conselho da ordem DeMolay para o Brasil, porém não é obrigatório.
Como participar da Ordem DeMolay
Para que um jovem seja iniciado na Ordem DeMolay, é preciso que o mesmo seja indicado por um membro ativo da Ordem, um Sênior DeMolay ou um Mestre Maçom, todos devidamente regulares em suas potências. O jovem escolhido deve ser grande destaque no meio onde vive e preencher, obrigatoriamente, dentre outras, todas as seguintes características:
Ter entre 12 anos completos e 21 incompletos;
Possuir um esboço da grande maioria das virtudes defendidas pela Ordem;
Crer firmemente em um Ser Superior, independentemente de qualquer religião;
Ser uma pessoa de forte caráter e ética;
Ter sua indicação aprovada sem ressalvas por todos os membros do Capítulo e do Conselho Consultivo;
Ter grande vontade de aprender, estar disposto a valorizar a amizade verdadeira e guardar segredo sobre tudo o que se passa durante as reuniões.
Os candidatos ao ingresso na Ordem DeMolay não são escolhidos aleatoriamente. Todos passam por um rigoroso processo de seleção no qual o candidato é avaliado e investigado em vários aspectos. Em caso de aprovação unânime do Capítulo, ele será iniciado. Caso contrário o candidato não será iniciado, mas existe a possibilidade de posteriormente realizar uma nova tentativa. Ele será informado se iniciará ou não. O motivo de uma não aprovação não é informado.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O INIMIGO Nº 1 DA MAÇONARIA - O VAIDOSO ARROGANTE

O INIMIGO Nº 1 DA MAÇONARIA
O VAIDOSO ARROGANTE
(a) Baixa auto-estima e complexo de inferioridade
Nenhum ditador provocou ou vêm provocando tanto dano à Maçonaria quanto o maçom vaidoso, este sapador inveterado, este Cavalo de Tróia que a destrói por dentro, sem o emprego de armas, grilhões, ferros, calabouços e leis de exceção. Ele é indiscutivelmente o maior inimigo da Maçonaria, o mais nefasto dos impostores, o principal destruidor de lojas. Ele é pior do que todos os falsos maçons reunidos porque se iguala a eles em tudo o que não presta e raramente em alguma virtude.
Uma característica marcante que se nota neste tipo de maçom, logo ao primeiro contato, é a sua pose de justiceiro e a insistência com que apregoa virtudes e qualidades morais que não possui. Isso salta logo à vista de qualquer um que comece a comparar seus atos com as palavras que saem da sua boca. O que se vê amiúde é ele demonstrar na prática a negação completa daquilo que fala, sobretudo daquilo que difunde como qualidades exemplares do maçom aos Aprendizes e Companheiros, os quais não demora muito a decepcionar. Vaidoso ao extremo, para ele a Maçonaria não passa de uma vitrine que usa para se exibir, de um carro de luxo o qual sonha um dia pilotar. E, quando tem de fato este afã em mente, não se furta em utilizar os meios mais insidiosos para tentar alcançá-lo, a exemplo do que fazem nossos políticos corruptos.
Narcisismo em um dos extremos, e baixa auto-estima no outro, eis as duas principais características dos maçons vaidosos e arrogantes. No crisol da soberba em que vivem imersos, podemos separá-los em dois grupos distintos, porém idênticos na maioria dos pontos: os toscos ignorantes e os letrados pretensiosos.
A trajetória dos primeiros é assaz conhecida.
Por serem desprovidos do talento e dos atributos intelectuais necessários para conquistarem posição de destaque na sociedade, eles ingressam na Maçonaria em busca de títulos e galardões venais, de fácil obtenção, pensando com isso obter algum prestígio. Na vida profana, não conseguem ser nada além de meros serviçais, de mulas obedientes que cedem a todos os tipos de chantagem.
Por isso, fazer parte de uma instituição de elite (isso mesmo, de elite!) como a Maçonaria produz neles a ilusão de serem importantes; ajuda a mitigar um pouco a dor crônica que os espinhos da incompetência e da mediocridade produzem em suas personalidades enfermas.
O segundo em quase tudo se equipara ao primeiro, porém com algumas notáveis exceções.
Capacitado e instruído, em geral ele é uma pessoa bem sucedida na vida. Sofre, porém, desse grave desvio de caráter conhecido pelo nome de "Narcisismo", que o torna ainda pior do que o seu êmulo sem instrução. Ávido colecionador de medalhas, títulos altissonantes e metais reluzentes, este maçom é uma criatura pedante e intragável, que todos querem ver distante. No fundo ele também é um ser que se sente rejeitado; sua alma é um armário de caveiras e a sua mente um antro habitado por fantasmas imaginários.
Julgando-se o centro do Universo, na Maçonaria ele obra para que todas as atenções fiquem voltadas para si, exigindo ser tratado com mais respeito do que os irmãos que atuam em áreas profissionais diferentes da dele. Pobre do irmão mais jovem e mais capacitado que cruzar o seu caminho, que ousar apontar-lhe uma falta, que se atrever a lançar-lhe no rosto uma imperfeição sua ou criticar o seu habitual pedantismo! O seu rancor se acenderá automaticamente e o que estiver ao seu alcance para reprimi-lo e intimidá-lo ele o fará, inclusive lançando mão da famosa frase, própria do selvagem chefe de bando: Sabe com quem está falando! Desse modo ele acaba externando outra vil qualidade, que caracteriza a personalidade de todo homem arrogante: a covardia.
O número de irmãos que detesta ou despreza este tipo de maçom é condizente com a quantidade de medalhas que ele acumula na gaveta ou usa no peito. Na vida profana seus amigos não são verdadeiros; são cúmplices, comparsas, associados e gente que dele se acerca na esperança de obter alguma vantagem. E nisso se insere a mulher com a qual vive fraudulentamente. Todos os que o rodeiam, inclusive ela, estão prontos a meter-lhe um merecido chute no traseiro tão logo os laços de interesse que os unem sejam desfeitos. O seu casamento é um teatro de falsidades e o seu lar um armazém de conflitos. Raramente familiares seus são vistos em nossas festas de confraternização. Quando aparecem, em geral contrariados, não conseguem esconder as marcas indeléveis de infelicidade que ele produz em seus rostos.
Em sua marcha incessante em busca de distinções sociais que supram a sua insaciável necessidade de auto-afirmação, é comum vermos este garimpeiro de metais de falso brilho farejando outras organizações de renome, tais como os clubes Lyons e Rotary, e gastando nessas corridas tempo e dinheiro que às vezes fazem falta em seu lar. A Maçonaria, que tem a função de melhorar o homem, a sociedade, o país, e a família, acaba assim se convertendo em uma fonte de problemas para os seus familiares; e ele, em uma fonte de problemas para a Maçonaria.
Um volume inteiro seria insuficiente para catalogar os males que este inimigo da paz e da harmonia pratica, este bacilo em forma humana que destrói nossa instituição por dentro, qual um cancro a roer-lhe as células, de modo que limitar-nos- emos a expor os mais comuns.
(b) Comportamento em loja
Incapaz de polir a Pedra Bruta que carrega chumbada no pescoço desde o dia em que nasceu, de aprimorar-se moral e intelectualmente, de lutar para subtrair-se das trevas da ignorância e dos vícios que corrompem o caráter; de assimilar conhecimentos maçônicos úteis, sadios e enobrecedores, para na qualidade de Mestre poder transmiti-los aos Aprendizes e Companheiros, o que faz o nosso personagem? Simplesmente coloca barreiras em seus caminhos, de modo a retardar-lhes o progresso! Ao invés de estudar a Maçonaria, para poder contribuir na formação dos Aprendizes e Companheiros, de que modo ele procede? Veda a discussão sobre assuntos com os quais deveria estar familiarizado, fomentando apenas comentários sobre as vulgaridades supérfluas do seu cotidiano! Ao invés de encorajar o talento dos mesmos, de ressaltar suas virtudes e estimular o seu desenvolvimento, o que faz ele? Procura conservá-los na ignorância de modo a escamotear a própria! Ao invés de defender e ressaltar a importância da liberdade de expressão e da diversidade de opiniões para a evolução da humanidade, como ele age? Censura arbitrariamente aqueles cujas idéias não estejam em harmonia ou sejam contrárias às suas! Ao invés de fomentar debates sobre temas de importância singular para o bem da loja em particular e da Maçonaria em geral, como age ele? Tenta impedir a sua realização por carecer de atributos intelectuais que o capacitem a participar deles! E, nos que raramente promove, como se comporta? Considera somente as opiniões daqueles que dizem "sim" e "sim senhor" aos seus raramente edificantes projetos!
Tal como o maçom supersticioso, este infeliz em cujo peito bate um coração cheio de inveja e rancor nutre ódio virulento e indissimulado pela liberdade de expressão, que constitui um dos mais sagrados esteios sobre os quais repousam as instituições democráticas do mundo civilizado, uma das bandeiras que a Maçonaria hasteou no passado sobre os cadáveres da intolerância, da escravidão e da arbitrariedade.
Dos atos indecentes mais comumente praticados por este falsário, o que mais repugna é vê-lo pregando "humildade" aos irmãos em loja, em particular aos Aprendizes e Companheiros, coberto da cabeça aos pés de fitões, jóias e penduricalhos inúteis, qual uma árvore de natal. Outro é vê-lo arrotando, em alto e bom som, ter "duzentos e tantos anos de Maçonaria" e exibindo o correspondente em estupidez e mediocridade. O terceiro é vê-lo trajando aventais, capas, insígnias, chapéus e colares, decorados com emblemas que lembram tudo, exceto os compromissos que ele assumiu quando ingressou em nossa sublime e veneranda instituição.
Cego, ignorante e vaidoso, nosso personagem não percebe o asco que provoca nas pessoas decentes que o rodeiam.
Como já foi dito, a Maçonaria serve apenas de vitrine para ele. Como não é possível permanecer sozinho dentro dela sem a incômoda presença de outros impostores –os quais não têm poder suficiente para enxotar–, ele luta ferozmente para afastar todo e qualquer novo intruso, imitando alguns animais inferiores aos humanos na escala zoológica, que fixam os limites de seus territórios com os odores de suas secreções e não toleram a presença de estranhos. Qualquer irmão que comece a brilhar ao lado desta criatura rasteira é considerado por ela inimigo. A luz e o progresso do seu semelhante o incomoda, fere o seu ego vaidoso. Por este motivo tenta obstaculizar o trabalho dos que querem atuar para o bem da loja; por isso recusa-se a transmitir conhecimentos maçônicos (quando os possui) aos Aprendizes e Companheiros, sobretudo aos de nível intelectual elevado, ou os ministra em doses pífias, para que futuramente não sejam tomados como exemplos e ofusquem ainda mais a sua mediocridade. Um maçom exemplar, íntegro, que cumpre rigorosamente os compromissos que assumiu quando ingressou em nossa Instituição, não raro converte-se em alvo de suas setas, pois seus olhos míopes não conseguem ver honestidade em ninguém; sua mente estragada o interpreta como potencial "concorrente", que nutre interesses recônditos semelhantes aos seus.
O maçom arrogante mal conhece o significado de nossas belas e simples alegorias.
Se as conhece, as despreza. Sua mente acha-se preocupada unicamente com o sucesso de suas empreitadas, em encontrar maneiras de estar permanentemente ao lado das pessoas cujos postos ambiciona. Fama e poder são os seus dois únicos objetivos, tanto na vida maçônica, como na profana. As palavras Liberdade, Igualdade e Fraternidade, que compõem a Trilogia Maçônica, não fazem parte do seu vocabulário, e com freqüência é visto pisoteando os valores que elas encerram. A história, a filosofia e os objetivos de nossa Veneranda Instituição não lhe despertam o menor interesse, pois é frio, calculista, e não tem sensibilidade nem conhecimento para compreendê-los e assimilá-los. Ele é diametralmente oposto ao que deve ser o maçom exemplar, em todos os pormenores.
É a antítese de tudo o que a Maçonaria apregoa e deseja de seus membros: uma criatura vil e rasteira que semeia a discórdia, afugenta bons irmãos, e termina por destruir ou fragmentar a loja (ou lojas), resultado às vezes de anos de trabalho árduo, caso ela teime em não se colocar sob a sua batuta ou se mostre contrária às suas aspirações egoístas.
A insolência desse tipo de maçom – e também o asco que destila–, vai crescendo conforme ele vai "subindo" nos altos graus (ou graus filosóficos), lixo maçônico fabricado por impostores no passado unicamente para explorar a estupidez e a vaidade de homens como ele. Sentindo-se importante por ter sido recebido em determinado grau, com a pompa digna de um rei, ele passa a considerar-se superior aos irmãos de graus "inferiores", em particular aos Aprendizes e Companheiros, ignorando o que reza o segundo landmark, que estabelece a divisão da Maçonaria Simbólica em apenas três graus.
Mas reservar um tempo para dedicar-se à sua loja, um momento para confraternizar com irmãos íntegros e honestos, ler algo de útil que possa servir de instrução a si e aos demais, essas são as suas últimas preocupações. O seu tempo disponível ele o reserva inteiramente às festinhas fúteis, nas quais pode ser notado e lisonjeado, onde pode ajuntar-se a outros maçons falsos e vulgares, prontos para enterrar-lhe um punhal nas costas na primeira oportunidade que surgir. Perceba o leitor com que velocidade esse "irmão" deveras atarefado arruma tempo quando é chamado para arengar em um tablado representando a Maçonaria! Note a pontualidade com que chega na passarela onde vai desfilar e ser fotografado com os seus paramentos. Observe como ele fica cheio de si quando é agraciado com uma rodela de lata qualquer ou vê o seu lindo rosto estampado nas páginas de alguma revista maçônica! Perceba como se curva aos pés dos que tem mais prestígio e poder do que ele! Note como ele os bajula!
Este prevaricador vagabundo não trabalha e não deixa os outros trabalhar para não ter de arregaçar as mangas também. Quando se mete a ministrar instruções aos Aprendizes e Companheiros ele o faz de modo precário, sem estar familiarizado com elas. Raramente sabe responder questões que os irmãos lhe dirigem. Tergiversa sempre com a mesma resposta: É preciso pesquisar! Ele não faz nada porque não sabe fazer nada, não quer aprender nada, e no íntimo não gosta da Maçonaria e não ama seus irmãos!
Nossas reuniões são para ele um fardo. Nas vezes que comparece em loja, exige ser ouvido e jamais dá atenção ao que falam os demais, obrando para que a sua palavra sempre prevaleça nas decisões a serem tomadas. Quando o seu nome não consta na Ordem do Dia –o que significa que não terá a oportunidade de exibir a sua hipocrisia ou arengar as suas imposturas–, retira-se antes da reunião terminar ou, quando permanece, o faz com o olhar fixo no relógio.
Campeão em faltas e em delitos, quando este falso maçom comparece à loja ele o faz para dar palpites indevidos, censurar tudo e todos, propor projetos mirabolantes e soluções inconsistentes com os problemas que surgem em nossas relações. Jamais faz uso de críticas sadias e construtivas, aquelas que apontam erros e sugerem soluções para os mesmos.
(c) Comportamento na Sociedade
Passemos agora à exposição do comportamento deste detestável impostor na sociedade, outra praia onde adora se exibir, embora poucos o notem. Ele circula pelas ruas do bairro onde vive de nariz empinado, cheio de empáfia, tentando vender a todos, sobretudo aos mais humildes, a falsa imagem de alguém assaz importante. Ostentando correntes, anéis, gravatas, broches e outros adereços maçônicos –alguns com peso suficiente para curvar o tórax–, tão logo se acerca de uma roda de amigos, ou melhor, de gente com paciência para aturá-lo, ele passa a ensejar conversas maçônicas desnecessárias, fazer alarde de sua condição de maçom e de ser membro de uma poderosa "gangue", com o único propósito de colocar-se acima deles. Quando, porém, um profano lhe dirige algumas perguntas a respeito de nossa instituição, movido por uma sadia e natural curiosidade, ele responde geralmente o que não sabe, fitando-o de cima para baixo, com desprezo, como se estivesse encastelado sobre um pedestal de ouro.
Como o caracol, este tipo de maçom costuma deixar um rastro visível e brilhante por onde trafega, tornando muito fácil a identificação sua e do seu paradeiro, que é o que ele efetivamente deseja, embora afirme o contrário. Mas, para a sua infelicidade, pouca gente dá importância aos seus recados vaidosos. O automóvel, o lar e o local onde trabalha correspondem ao exoesqueleto deste animal, ao passo que os adereços e os objetos maçônicos que ele usa e espalha por todos os lados à gosma que libera. Impulsos provenientes das regiões recônditas do cérebro onde se alojam o seu complexo de inferioridade e a sua baixa auto-estima dizem a ele onde derramá-la.
Do mesmo modo que prostitui nossa instituição, transformando- a em templo da vaidade, ele corrompe também a natureza de muitos objetos inanimados, desvirtuando os propósitos para os quais foram concebidos. Os vidros do automóvel não servem para proteger os passageiros do vento e da chuva, mas para ostentar adesivos maçônicos escandalosos que avisam os transeuntes e os motoristas dos carros que estão na retaguarda que "alguém muito importante" maneja o volante. As paredes da sua casa não servem como divisórias, mas de out-doors para a colagem de diplomas maçônicos que levam o seu nome. O isqueiro ele usa para tentar acender um cigarro que talvez nem fume ou sabendo que ele não funciona mais (o importante é as pessoas notarem o compasso e o esquadro colados nele!). A caneta com compasso encravado na tampa ele usa para mostrar que é maçom àquele que está perto do papel no qual finge estar escrevendo alguma coisa. O relógio da sala não serve para mostrar a hora certa, mas para dizer aos visitantes que o seu dono é maçom.
As estantes da sala não servem para acomodar bons livros, mas para armazenar troféus, medalhas, placas comemorativas, mimos e tudo o mais que avise que há um maçom por ali. O mesmo vale para pratos, talheres, lenços, gravatas, bonés, bolsas, bonecos, malas, bengalas e, pasmem, até revólveres e espingardas! Enfim, qualquer objeto que possa lhe servir de propaganda ele o corrompe.
d) Prejuízos
O Maçom arrogante sabe muito bem que é um desqualificado moral, que carece das virtudes necessárias para dirigir homens de caráter, mas mesmo assim quer assumir o cargo de Venerável e nele perpetuar-se por tempo indeterminado, se possível. Insolente, julga-se o único com aptidão para empunhar o malhete, menoscabando a capacidade dos demais irmãos. Sempre que pode procura manobrar as eleições para que os cargos em loja sejam preenchidos por integrantes de sua medíocre camarilha, que, uma vez empossada, vai aprovar seus atos malsãos e alimentar a sua vaidade. Dessa maneira ele trava as rodas da loja, impedindo-a de progredir, de desfraldar as suas velas.
Nosso personagem costuma mais faltar do que comparecer às reuniões, como já foi dito.
Quando o faz, é quase sempre para tentar colocar-se em destaque, humilhar alguém, violar regulamentos, e fazer prevalecer os seus caprichos pessoais.É claro que ele não age só, pois se assim fosse a sua eliminação seria fácil e sumária. Ele conta com o respaldo de pequenos grupelhos de gente sórdida e submissa, que aprova suas ações, que corrompe e deixa-se corromper. Às vezes conta até com a cumplicidade dissimulada de alguns delegados, que, por motivos políticos ou de ordem pessoal, fazem vista grossa aos seus insidiosos manejos e prevaricam no que constitui uma das mais importantes missões dentro da Maçonaria.
Terminado o período de sua administração como Venerável este impostor passa a meter o nariz em assuntos que não mais lhe dizem respeito, usurpando funções de outros irmãos da loja, incluindo as do seu sucessor. Quer mandar mais do que os outros, quer ser o dono da loja; quer admitir candidatos sem escrutínio para engrossar a sua camarilha; quer manobrar a todos e violar leis. Expõe os Aprendizes e Companheiros a constantes querelas com outros Mestres, quase sempre motivadas pela vaidade e pela sede de poder.
Especialista em apontar erros nos outros, o maçom arrogante jamais admite um seu. Quando, porém, as circunstâncias tornam isso impossível, ele o faz rangendo os dentes e disparando setas em todas as direções, muitas vezes ferindo os poucos irmãos que o querem bem. Além de tudo é um indivíduo vingativo. Caso sofra uma contrariedade qualquer, ou veja descartada uma irracional conjectura sua, ele passa a fomentar intrigas e provocar cismas na loja. Aquele que for investigar as causas que levaram uma determinada oficina a abater colunas notará em seus escombros a marca indelével de sua mão, que muitas vezes deixa impressa com orgulho!
Elemento altamente desestabilizador e perigoso, o maçom vaidoso é o principal responsável pelo enfraquecimento das colunas de uma loja, pela fuga em massa de bons irmãos, e pela decadência da Maçonaria de uma forma geral. Quanto maior for o seu número agindo no corpo da Maçonaria, mais fraca, enferma e suscetível à contração de outros males ela se torna, mais exposta a escândalos e prejuízos ela fica. Sua eliminação é, portanto, condição si ne qua nom para a conservação da saúde de nossa Sublime Instituição.
O texto foi extraído do livreto do Irmão Ricardo Vidal “Os dois coveiros da Maçonaria”.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Lendas do Bode


O Maçon Raul Silva conta que, na Europa, quando os maçons foram caçados pela inquisição (como aconteceu na época de Napoleão) os maçons tinham que se reunir, secretamente, na casa de um de seus membros (e cada vez a reunião ocorria em um lugar diferente).

Mas, se era em um lugar diferente, como saber onde seria?

Simples. Um Irmão passearia com um bode, pela cidade, sendo esse o sinal de que a reunião ocorreria em sua casa.

É uma história interessante, mas acontece que isso é apenas uma lenda, que o próprio autor, quando a apresenta, já nos avisa que se trata apenas de uma lenda.

Outra lenda – porém, muito aceita como verdade – é a do consagrado escritor José Castellani, que nos conta que essa denominação (dos maçons serem chamados de “bode”) vem dos maçons que eram torturados e não entregavam seus irmãos. Eles “eram como Bodes”.

Mas o que os “bodes” tem haver com isso?

Castellani conta que, no começo do Cristianismo, havia a prática da “expiação dos pecados”, por parte dos Judeus, através dos Bodes. Eles relatavam suas “falhas” aos bodes, para dividir o fardo e, ainda sim, ter seus segredos guardados.

Ele também nos conta que foi desse ato que surgiu a ideia de confissão, na Igreja Católica, onde o cristão conta seus pecados ao padre – mas que este, pelos votos, tem a obrigação de não contar a ninguém.

Acontece que esta também é uma lenda, e não temos nada que comprove a veracidade desse relato.

A versão mais provável

Nicola Aslan, que é outro grande expoente da Ordem, afirma que a lenda só começou devido a associação da Maçonaria ao Baphomet (e essa é a versão mais próxima da verdade, hoje em dia).

O Baphomet era um símbolo Templário e foi associado à Maçonaria devido ao sensacionalista Léo Táxil que, em um de seus livros, relatava uma série de absurdos sobre a relação deste Ser, com a Ordem. Ele havia iniciado na Maçonaria, de fato, mas não há relatos de que ele tenha ido além do Grau 1.

A obra fez muito sucesso e foi creditada como verdade – tanto pela Igreja como pelos demais religiosos. No entanto, não demorou muito para que o próprio Táxil desmentisse essa história toda e contasse que a obra não era verdadeira – porém, a semente já estava plantada.

É claro que, na época, os cristãos diziam que Táxil estava com medo dos Maçons e, por isso, disse tudo isso. Mas era apenas uma tentativa da Igreja de não parecer tão ingênua por ter acreditado em tudo aquilo.

Táxil chegou a responder à Igreja: “Vocês realmente acharam que eu havia me convertido ao cristianismo?”

Infelizmente, mesmo com tudo isso, Leo Táxil é, até hoje, defendido como verdade por muitos religiosos que entendem tanto de maçonaria quanto entendem da própria religião.

Particularmente, eu bem gostaria que houvesse um Grau que explorasse o Baphomet – que é um símbolo fantástico. Certamente seria muito rico para a Ordem.

Mas até é possível que tenha. Tantos ritos foram perdidos que é bem provável que exista um que o contemple.

Mas o que era o Baphomet?

Acredita-se que ele tenha tido ligação com os Templários porque alguns de seus cavaleiros confirmaram – nas torturas de Felipe, o Belo – terem prestado reverência a um símbolo cuja as descrições eram semelhantes aos do Baphomet (mas nunca ficou claro ao que exatamente eles estavam se referindo) e, por serem encontradas supostas referências ao mesmo nas suas construções.

Nas construções góticas Templárias, em que podem ser identificadas algumas imagens que se relacionariam diretamente com a descrição de Baphomet, eles são, aparentemente, tomados por gárgulas. Porém, se analisarmos bem, podemos ver que seus símbolos são referentes ao mesmo. As figuras mais famosas estão nas construções da Comendadoria Saint-Bris-Le-Vineux e da Igreja de Saint-Merry. Entretanto, a imagem mais conhecida de Baphomet foi feita pelo escritor e martinista Eliphas Levi, no século XIX.

Não havia uma imagem padronizada do Baphomet, na época. Ele geralmente era parecido com um Gárgula de chifres. Sendo que alguns tinham mais elementos que os outros – mas nunca perdendo seu objetivo de apresentar as bases Alquímicas.

Para facilitar o estudo utilizarei (para a explicação) o Baphomet de Eliphas Levi.





Os Símbolos de Baphomet

É muito comum, nas imagens Alquímicas, a representação dos 4 Elementos – e, com Baphomet, não é diferente. Temos a “tocha” na cabeça do Baphomet, representando o elemento Fogo. As “escamas” em seu corpo, representando o elemento Água. Suas “asas”, representando o elemento Ar. E, por fim, suas “patas de bode” que representam o elemento Terra.

O “cubo” (ou o quadrado), que ele está em cima, tem como simbolismo a Matéria (ou o físico). Representando aí o domínio sobre a matéria (sobre o plano físico).

O Pentagrama na testa de Baphomet representa a Magia ou o “Homem Perfeito”. Esses dois sentidos estão ligados, entre si, quando levamos em consideração o significado da palavra “magia”.

O termo se origina na Língua Persa, “magi” ou “magus”, que significa Sábio. Os considerados sábios (os homens perfeitos), no mundo persa, foram aqueles que eram capazes de traduzir os mistérios da natureza e sua relação direta com o Homem. Daí a relação da Magia com o Homem Perfeito.

Nos braços de Baphomet temos escrito os termos “Solve” (o braço direito, que aponta para cima) e “Coagula” (no braço esquerdo, que aponta para baixo). O Solve significa dissolver o Agente Mágico, e o Coagula significa coagular esse “agente” no plano físico.

Eliphas Levi defendia a ideia de que se podiam materializar todos os pensamentos do Plano Mental (que seria o plano dos pensamentos e das ideias) no Plano Astral (que seria o plano das energias e das emoções). Seria basicamente dizer que é possível, em nosso mundo, conseguir o que se deseja apenas com a “força do pensamento”. Essa ideia é amplamente aceita nas diversas correntes místico-ocultistas e se tornou mais conhecida devido a ocultistas como Aleister Crowley. Hoje em dia, a mesma ideia é exposta (de forma superficial) no livro “O Segredo”. A posição dos braços representa o axioma Hermético que diz: “tudo que está em cima é como tudo que está em baixo”.

Outra representação muito comum (em símbolos alquímicos) é a do “masculino e feminino”. Nele encontramos tanto o falo masculino, que na imagem de Baphomet, é o Caduceu de Hermes, representando a Kundalini (a força produzida pela junção das energias dos chackras masculinos com os chackras femininos), como também encontramos os seios femininos, representando a fertilidade e a maternidade.

Encontra-se também uma cabeça com características de três animais (o cão, o touro e o bode). E não é a única imagem que contém uma cabeça que represente diversas características em uma só.

Enfim…

Espero que esse Post tenha lhe ajudado a compreender as origens que levaram as pessoas a crer que existia alguma relação entre Bode e Maçonaria. Espero também que a figura de Baphomet não pareça mais tão “misteriosa” assim.

É realmente complicado desmistificar isso quando, a maioria dos Maçons, responde apenas que “não tem bode nenhum na maçonaria” – e a explicação acaba por aí.