quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Lendas do Bode


O Maçon Raul Silva conta que, na Europa, quando os maçons foram caçados pela inquisição (como aconteceu na época de Napoleão) os maçons tinham que se reunir, secretamente, na casa de um de seus membros (e cada vez a reunião ocorria em um lugar diferente).

Mas, se era em um lugar diferente, como saber onde seria?

Simples. Um Irmão passearia com um bode, pela cidade, sendo esse o sinal de que a reunião ocorreria em sua casa.

É uma história interessante, mas acontece que isso é apenas uma lenda, que o próprio autor, quando a apresenta, já nos avisa que se trata apenas de uma lenda.

Outra lenda – porém, muito aceita como verdade – é a do consagrado escritor José Castellani, que nos conta que essa denominação (dos maçons serem chamados de “bode”) vem dos maçons que eram torturados e não entregavam seus irmãos. Eles “eram como Bodes”.

Mas o que os “bodes” tem haver com isso?

Castellani conta que, no começo do Cristianismo, havia a prática da “expiação dos pecados”, por parte dos Judeus, através dos Bodes. Eles relatavam suas “falhas” aos bodes, para dividir o fardo e, ainda sim, ter seus segredos guardados.

Ele também nos conta que foi desse ato que surgiu a ideia de confissão, na Igreja Católica, onde o cristão conta seus pecados ao padre – mas que este, pelos votos, tem a obrigação de não contar a ninguém.

Acontece que esta também é uma lenda, e não temos nada que comprove a veracidade desse relato.

A versão mais provável

Nicola Aslan, que é outro grande expoente da Ordem, afirma que a lenda só começou devido a associação da Maçonaria ao Baphomet (e essa é a versão mais próxima da verdade, hoje em dia).

O Baphomet era um símbolo Templário e foi associado à Maçonaria devido ao sensacionalista Léo Táxil que, em um de seus livros, relatava uma série de absurdos sobre a relação deste Ser, com a Ordem. Ele havia iniciado na Maçonaria, de fato, mas não há relatos de que ele tenha ido além do Grau 1.

A obra fez muito sucesso e foi creditada como verdade – tanto pela Igreja como pelos demais religiosos. No entanto, não demorou muito para que o próprio Táxil desmentisse essa história toda e contasse que a obra não era verdadeira – porém, a semente já estava plantada.

É claro que, na época, os cristãos diziam que Táxil estava com medo dos Maçons e, por isso, disse tudo isso. Mas era apenas uma tentativa da Igreja de não parecer tão ingênua por ter acreditado em tudo aquilo.

Táxil chegou a responder à Igreja: “Vocês realmente acharam que eu havia me convertido ao cristianismo?”

Infelizmente, mesmo com tudo isso, Leo Táxil é, até hoje, defendido como verdade por muitos religiosos que entendem tanto de maçonaria quanto entendem da própria religião.

Particularmente, eu bem gostaria que houvesse um Grau que explorasse o Baphomet – que é um símbolo fantástico. Certamente seria muito rico para a Ordem.

Mas até é possível que tenha. Tantos ritos foram perdidos que é bem provável que exista um que o contemple.

Mas o que era o Baphomet?

Acredita-se que ele tenha tido ligação com os Templários porque alguns de seus cavaleiros confirmaram – nas torturas de Felipe, o Belo – terem prestado reverência a um símbolo cuja as descrições eram semelhantes aos do Baphomet (mas nunca ficou claro ao que exatamente eles estavam se referindo) e, por serem encontradas supostas referências ao mesmo nas suas construções.

Nas construções góticas Templárias, em que podem ser identificadas algumas imagens que se relacionariam diretamente com a descrição de Baphomet, eles são, aparentemente, tomados por gárgulas. Porém, se analisarmos bem, podemos ver que seus símbolos são referentes ao mesmo. As figuras mais famosas estão nas construções da Comendadoria Saint-Bris-Le-Vineux e da Igreja de Saint-Merry. Entretanto, a imagem mais conhecida de Baphomet foi feita pelo escritor e martinista Eliphas Levi, no século XIX.

Não havia uma imagem padronizada do Baphomet, na época. Ele geralmente era parecido com um Gárgula de chifres. Sendo que alguns tinham mais elementos que os outros – mas nunca perdendo seu objetivo de apresentar as bases Alquímicas.

Para facilitar o estudo utilizarei (para a explicação) o Baphomet de Eliphas Levi.





Os Símbolos de Baphomet

É muito comum, nas imagens Alquímicas, a representação dos 4 Elementos – e, com Baphomet, não é diferente. Temos a “tocha” na cabeça do Baphomet, representando o elemento Fogo. As “escamas” em seu corpo, representando o elemento Água. Suas “asas”, representando o elemento Ar. E, por fim, suas “patas de bode” que representam o elemento Terra.

O “cubo” (ou o quadrado), que ele está em cima, tem como simbolismo a Matéria (ou o físico). Representando aí o domínio sobre a matéria (sobre o plano físico).

O Pentagrama na testa de Baphomet representa a Magia ou o “Homem Perfeito”. Esses dois sentidos estão ligados, entre si, quando levamos em consideração o significado da palavra “magia”.

O termo se origina na Língua Persa, “magi” ou “magus”, que significa Sábio. Os considerados sábios (os homens perfeitos), no mundo persa, foram aqueles que eram capazes de traduzir os mistérios da natureza e sua relação direta com o Homem. Daí a relação da Magia com o Homem Perfeito.

Nos braços de Baphomet temos escrito os termos “Solve” (o braço direito, que aponta para cima) e “Coagula” (no braço esquerdo, que aponta para baixo). O Solve significa dissolver o Agente Mágico, e o Coagula significa coagular esse “agente” no plano físico.

Eliphas Levi defendia a ideia de que se podiam materializar todos os pensamentos do Plano Mental (que seria o plano dos pensamentos e das ideias) no Plano Astral (que seria o plano das energias e das emoções). Seria basicamente dizer que é possível, em nosso mundo, conseguir o que se deseja apenas com a “força do pensamento”. Essa ideia é amplamente aceita nas diversas correntes místico-ocultistas e se tornou mais conhecida devido a ocultistas como Aleister Crowley. Hoje em dia, a mesma ideia é exposta (de forma superficial) no livro “O Segredo”. A posição dos braços representa o axioma Hermético que diz: “tudo que está em cima é como tudo que está em baixo”.

Outra representação muito comum (em símbolos alquímicos) é a do “masculino e feminino”. Nele encontramos tanto o falo masculino, que na imagem de Baphomet, é o Caduceu de Hermes, representando a Kundalini (a força produzida pela junção das energias dos chackras masculinos com os chackras femininos), como também encontramos os seios femininos, representando a fertilidade e a maternidade.

Encontra-se também uma cabeça com características de três animais (o cão, o touro e o bode). E não é a única imagem que contém uma cabeça que represente diversas características em uma só.

Enfim…

Espero que esse Post tenha lhe ajudado a compreender as origens que levaram as pessoas a crer que existia alguma relação entre Bode e Maçonaria. Espero também que a figura de Baphomet não pareça mais tão “misteriosa” assim.

É realmente complicado desmistificar isso quando, a maioria dos Maçons, responde apenas que “não tem bode nenhum na maçonaria” – e a explicação acaba por aí.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

A importância do C.•.M.•. no desenvolvimento da Maçonaria

Esteio, 01 de julho de 2011

Grande Oriente do Rio Grande do Sul
Loja Luz, Vida e Amor


A importância do C.•.M.•. no desenvolvimento da Maçonaria


Venerável Mestre
Irmão Primeiro Vigilante
Irmão Segundo Vigilante
Caros Irmãos


O companheiro situa-se como fator de equilíbrio, porque, dirigindo-se aos Aprendizes, lhes estende a mão. Pendendo para os Mestres, recebe consideração maior, prosseguimento dos estudos e permuta de conhecimentos.
Como disse nosso Venerável Mestre ao nosso Irmão Segundo Vigilante, estamos entrando em uma nova fase em nossas vidas Maçônicas, passamos de simples observadores para observados e com isso crescem nossas responsabilidades, pois como agora os Aprendizes estarão se espelhando em nós, procurando ver nossas atitudes, procurando ver em nós as virtudes alcançadas que nos tornaram Companheiros, buscando com isso o seu crescimento para um dia também chegar a este grau.
Em uma Loja sempre deve haver equilíbrio, não só em relação numérica entre Aprendizes, Companheiros e Mestres, mas também um equilíbrio em nossas atitudes. Vamos servir de exemplo para que vários Irmãos se espelhem em nós para poder galgar a este posto e por isso nossa responsabilidade aumenta consideravelmente.
Se nós chegamos a este grau, foi por demonstrar interesse, foi por estudar e trabalhar com afinco, deixando de lado brincadeiras e vícios atos que tínhamos antes do ingresso na Maçonaria e quando Aprendizes, não podemos nunca dar mau exemplo aos que estão nos observando.
A nossa importância agora como Companheiros Maçons está aumentando diretamente com nossas obrigações, devemos servir de elo entre os Aprendizes e os Mestres, podemos dar exemplo e auxiliar aos Aprendizes e solicitar mais conhecimentos dos nossos Mestres. Se conseguimos chegar a este grau, é porque os Mestres viram em nós virtudes de sermos melhores indivíduos e com isso estarão nos ajudando sempre a crescer mais e mais.


Marcos Antonio Peruzzolo
Companheiro Maçom

O significado de passar da Pedra Bruta para a Pedra Cúbica

Esteio, 30 de junho de 2011

Grande Oriente do Rio Grande do Sul
Loja Luz, Vida e Amor

O significado de passar da Pedra Bruta para a Pedra Cúbica

Venerável Mestre
Irmão Primeiro Vigilante
Irmão Segundo Vigilante
Caros Irmãos

Antes de falar sobre o significado de passar da Pedra Bruta para a Pedra Cúbica, vamos relembrar o que é a Pedra Bruta e a Pedra Cúbica para a Maçonaria.
Pedra Bruta: Peça de pedra no estado que sai da pedreira. Simboliza o estado de falta de conhecimento.
Pedra Cúbica ou Polida: Peça de pedra que está em condições de ser assentada na obra.
Pois bem, na nossa vida profana, anterior ao ingresso na Maçonaria, é como uma pedra bruta, retirada da pedreira, não temos conhecimento, não temos discernimento, mas “dentro” de cada Pedra Bruta, existe uma Pedra Polida, e com o trabalho, através das Luzes recebidas no Templo, vamos lapidando, vamos, através de árduas tarefas a serem cumpridas em todos os dias, através do trabalho exaustivo e eterno do “eterno aprendizado”, vamos modulando a mesma para que esta sirva para a construção, já não mais um pedaço informe, mas algo com forma definida para poder fazer parte da construção de nosso Templo interior.
Como fazemos este desbaste?
Com o exercício da eterna paciência, do trabalho e consequente crescimento;
Temos de ir desfazendo as arestas, para favorecer o aparecimento das virtudes;
Temos de ir polindo para que os vícios da vida profana se findem;
Fazendo isso, estamos transformando algo bruto em útil para nós mesmos e para a sociedade.
Todo aquele que realizar este desbaste, se tornará certamente um homem novo mais perfeito.
Claro que esta Pedra deverá continuar sempre a ser polida, pois todo o Maçom é um “eteno Aprendiz” e deve lutar sempre para continuar a adquirir novos conhecimentos e crescimento constante.
O significado pois desta passagem da Pedra Bruta para a Pedra Cúbica é que já se nota uma mudança em nossas vidas, já não somos mais esta Pedra Bruta, se por um lado se ainda falta muito para nos tornarmos perfeitos, já aconteceram mudanças que estão fazendo de nós alguém com uma evolução substancial com progressos em nossa Loja, em nossa vida profissional e familiar.
Estamos prontos para uma nova fase, mudando de uma Pedra Bruta, sem serventia para algo que concreto para servir de alicerce para uma nova sociedade, mais justa e perfeita.



Marcos Antonio Peruzzolo
Companheiro Maçom

A Estrela Flamígera

Esteio, 30 de junho de 2011


Grande Oriente do Rio Grande do Sul
Loja Luz, Vida e Amor


A Estrela Flamígera

Venerável Mestre
Irmão Primeiro Vigilante
Irmão Segundo Vigilante
Caros Irmãos


Muito se tem escrito sobre a Estrela Flamígera e com isso as controvérsias sobre a mesma são muito grande, isso faz com que o C.•.M.•. deva se concentrar ainda mais no que está lendo e saber, por si só, filtrar o que quer levar daqui para diante em sua vida maçônica.
No R.•.E.•.A.•.A.•., a Estrela Flamígera, emblema individual do C.•.M.•., fica localizada acima do pedestal do Ir.•. Segundo Vigilante, é o astro que ilumina a Loja do C.•.M.•.. Com sua tênue radiação de luz, nos faz ver que estamos no caminho certo, estamos crescendo. A luz ainda não é intensa mas já nos dá uma ideia que já temos luz própria. Não a luz intensa do sol mas também não a luz irradiada da lua (que não possui luz própria, depende do sol para brilhar).
Entendo com isso que, como A.•.M.•., devemos sempre observar os M.•.M.•., seguir seus ensinamentos, solicitar sempre sua ajuda, até porque ainda não sabe discernir sobre o que é material e o que é espiritual – isto está representado no avental com a abeta levantada, ou seja, o retângulo representa a parte material e o triângulo a parte espiritual, elas estão separadas; no C.•.M.•. unem-se estas duas partes, pois o mesmo já é capaz de separar sozinho o material do espiritual –, mas como C.•.M.•., devemos tomar algumas decisões individualmente, mesmo sem abandonar o ensinamento e o acompanhamento dos M.•.M.•., devemos iniciar nossa caminhada, dar nossos primeiros passos sozinhos, para isso estamos tendo uma tênue luz para nos guiar, luz essa que emana da Estrela Flamígera.
As estrelas, desde a pré-história até os dias atuais, despertam interesse dos homens, sempre foram e serão usadas como guias nas navegações, para se saber para onde caminhar em um lugar ermo onde com mais nada pode-se contar para se orientar. Assim também a Estrela Flamígera iluminará o caminho que o C.•.M.•. deve seguir em sua vida maçônica.


Marcos Antonio Peruzzolo
Companheiro Maçom

A Águia e o Pardal

O sol anunciava o final de mais um dia e lá, entre as árvores, estava Andala, um pardal que não se cansava de observar Yan, a grande águia. Seu vôo preciso, perfeito, enchia seus olhos de admiração. Sentia vontade de voar como a águia, mas não sabia como o fazer. Sentia vontade de ser forte como a águia, mas não conseguia assim ser. Todavia, não cansava de segui-la por entre as árvores só para vislumbrar tamanha beleza.
Um dia estava a voar por entre a mata a observar o vôo de Yan, e de repente a águia sumiu de sua visão. Voou mais rápido para reencontrá-la, mas a águia havia desaparecido. Foi quando levou um enorme susto, deparou de uma forma muito repentina com a grande águia a sua frente. Tentou conter o seu vôo, mas foi impossível, acabou batendo de frente com o belo pássaro. Caiu desnorteado no chão e quando voltou a si, pode ver aquele pássaro imenso bem ao seu lado observando-o. Sentiu um calafrio no peito, suas asas ficaram arrepiadas e pôs-se em posição de luta. A águia em sua quietude apenas o olhava calma e mansamente, e com uma expressão séria, perguntou-lhe:
- Por que estás a me vigiar, Andala?
- Quero ser uma águia como tu, Yan. Mas meu vôo é baixo, pois minhas asas são curtas e vislumbro pouco por não conseguir ultrapassar seus limites.
- E como te sentes amigo sem poder desfrutar, usufruir de tudo aquilo que está além do que podes alcançar com tuas pequenas asas?
- Sinto tristeza. Uma profunda tristeza. A vontade é muito grande de realizar esse sonho... - O pardal suspirou olhando para o chão... E disse:
- Todos os dias acordo muito cedo para vê-la voar e caçar. És tão única, tão bela. Passo o dia a observar-te.
- E não voas? Ficas o tempo inteiro a me observar? Indagou Yan.
- Sim. A grande verdade é que gostaria de voar como tu voas... Mas as tuas alturas são demasiadas para mim e creio não ter forças para suportar os mesmos ventos que, com graça e experiência, tu cortas harmoniosamente...
- Andala, bem sabes que a natureza de cada um de nós é diferente, e isso não quer dizer que nunca poderás voar como uma águia. Sê firme em teu propósito e deixa que a águia que vive em ti possa dar rumos diferentes aos teus instintos. Se abrires apenas uma fresta para que esta águia que está em ti possa te guiar, esta dar-te-á a possibilidade de vires a voar tão alto como eu. Acredita! - E assim, a águia preparou-se para levantar vôo, mas voltou-se novamente ao pequeno pássaro que a ouvia atentamente:
- Andala, apenas mais uma coisa: - Não poderás voar como uma águia, se não treinares incansavelmente por todos os dias. O treino é o que dá conhecimento, fortalecimento e compreensão para que possas dar realidade a teus sonhos. Se não pões em prática a tua vontade, teu sonho sempre será apenas um sonho. Esta realidade é apenas para aqueles que não temem quebrar limites, crenças, conhecendo o que deve ser realmente conhecido. É para aqueles que acredita serem livres, e quando trazes a liberdade em teu coração poderás adquirir as formas que desejares, pois já não estarás apegado a nenhuma delas. Serás livre! Um pardal poderá, sempre, transformar-se numa águia, se esta for sua vontade. Confia em ti e voa, entrega tuas asas aos ventos e aprende o equilíbrio com eles. Tudo é possível para aqueles que compreenderam que são seres livres, basta apenas acreditar, basta apenas confiar na tua capacidade em aprender e ser feliz com tua escolha.
(Autor desconhecido)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Elevação

Esteio, 18 de maio de 2011

Grande Oriente do Rio Grande do Sul
Loja Luz, Vida e Amor

Elevação

Venerável Mestre
Irmão Primeiro Vigilante
Irmão Segundo Vigilante
Caros Irmãos

Quando fui iniciado minha preocupação e a pergunta que me fiz: O que viram de especial para me convidar a participar da Maçonaria? Espero um dia poder ver o mesmo que eles.
Passado um ano, tornei-me apto a ser elevado. Pela presença em Loja, pelos trabalhos realizados e apresentados, pelos pagamentos na tesouraria e no entender dos Mestres e do Colegiado, estava eu apto a Elevação.
Então surgiu outra pergunta e preocupação: Mas eu me considero apto a ser elevado?
Não questiono a decisão de meus Mestres, pois entenderam que eu era possuidor de qualidades que um Companheiro deve ter, mas devo fazer um retrospecto de meu primeiro ano como Maçom.
Minha vida mudou e muito desde a iniciação, percebo isso no meu dia a dia. Passei a ver os que me cercam com mais atenção, não com sentido crítico e sim querendo entender o que os leva a serem como o são. Aprendi a ouvir mais, falar o necessário, refletir para não ferir ou dizer coisas que não sejam pertinentes, sei que falta muito no sentido do crescer e evoluir com certeza, mas melhorei e muito. Vejo que as pessoas que me cercam percebem estas mudanças, para melhor, como dizem, sem querer mais impor pela força minhas idéias e posições e sim pela coerência, pela lógica. Também, após iniciado, vi que de nada adianta somente participar em Loja sem pesquisar, estudar, ler, discutir, procurar respostas para questionamentos que eu mesmo me fazia ou era instigado. Sei que não posso e nem devo parar neste processo de evolução, buscar cada vez mais o polimento da minha pedra bruta. Procuro fazer em todos os momentos, com afinco e entusiasmo, mas confesso, por vezes saia com dúvidas, me perguntando se valia a pena continuar e sempre obtive a mesma resposta, se parar, se esmorecer, não vou encontrar o que procuro e isso era combustível para continuar.
Vi-me pronto a galgar este grau de C.•.M.•. por me dedicar com afinco a desbastar a P.•.B.•. que me foi possibilitada a ver quando aqui cheguei. Aprendi que um Maçom não deve parar nunca de questionar e que cada resposta ouvida não deve nunca ser considerada plenamente satisfatória, deve procurar, na resposta dada, mas questionamentos para continuar a se desenvolver plenamente e um dos quesitos básicos para isso conhecer a si próprio, e isso, com certeza não é nada fácil, devemos com certeza vencer nossas paixões, nos colocando sempre no lugar do outro e poder sentir o que as outras pessoas pensam de nós, e não só isso, aprender os porquês que elas pensam assim. Muitas vezes o conhecimento do muito nos leva a conhecer apenas o superficial, devemos nos aprofundar mais e mais no que realmente queremos conhecer, neste caso mais vale a qualidade de que a quantidade do conhecimento. Nunca devemos esquecer que a base foi feita com tudo o que aprendemos como A.•.M.•., agora temos de aprofundar os conhecimentos, partir para outro plano, o espiritual, sem deixar de praticar e continuar estudando tudo o que nos foi passado como A.•.M.•.. Como A.•.M.•. descobrimos o ternário, e isso não basta, um C.•.M.•. deve agora seguir a diante. Não se pode querer que tudo esteja pronto, devemos ajudar a construir. Se já temos uma base, vamos construir em cima desta base, e quanto mais sólida ela estiver, melhor e mais reta será nossa construção, e para isso devemos voltar sempre a ser A.•.M.•., não esquecer jamais o que nos foi ensinado e estar sempre pronto para aprender para fortalecer ainda mais a base. Estamos, como o V.•.M.•. diz na nossa cerimônia de Elevação, passando do número três para o número cinco, numa alusão às três viagens feitas na Iniciação para as cinco viagens que devemos fazer na Elevação. Estamos saindo do plano material para o plano espiritual, e isso vai requerer mais estudo, mais afinco, mais trabalho, mais amor em tudo o que se faz, sempre em frente, sem pensar em receber nada em troca, pois o que ganharemos com isso não será nada material e sim o fortalecimento de nosso eu interior.
Também como na Iniciação, a Elevação nos abre portas e me foi mostrado o que devo fazer para continuar a nossa caminhada. E isso me dá força para continuar. As cinco viagens simbólicas e as novas ferramentas que me foram apresentadas, junto com o sinal e palavras e a contemplação da Estrela Flamíngera são atributos que vou levar nesta nova caminhada na batalha de ser merecedor da confiança de todos que estão me ajudando a encontrar as respostas de minhas perguntas para poder me tornar cada dia mais justo e perfeito.


Marcos Antonio Peruzzolo
Companheiro Maçom

segunda-feira, 16 de maio de 2011

COMPANHEIRO MAÇOM

AS FERRAMENTAS DO GRAU DE COMPANHEIRO NAS VIAGENS DA ELEVAÇÃO

Introdução
O Aprendiz, ao completar seus três anos de trabalho, é de se supor que tenha aprendido o significado da posição vertical ou perpendicular, ou seja, a reta que ascende para o reino dos céus, e portanto aproxima-se daquele ser humano hígido, de pé e ativo.
A perpendicular tem sua representação no prumo, que é a jóia do segundo vigilante e é a medida de retidão. Estar a prumo significa estar de forma correta e precisa em qualquer posição na vida, quer familiar, quer profissional ou ainda fraternal.
Nessas condições, o Aprendiz deverá passar ao nível, se comprovadamente tais propósitos foram cumpridos, ou seja, se ele se considera um, homem hígido, de pé e ativo. Pois o nível, simbolicamente, nos ensina que devemos pautar nossa vida dentro do equilíbrio, a fim de que nossas ações se ajustem à perfeição do desejo, dando o equilíbrio necessário para que nossa obra seja permanente e estável, na medida justa e satisfatória. Assim, o nível e o prumo formam o dualismo perfeito e conduzem à sabedoria.
No ritual de elevação, o candidato é informado pelo Venerável que irá passar do número três ao número cinco e, para tal, deverá realizar cinco viagens.

Desenvolvimento
Síntese da Cerimônia de Elevação
O Exp∴, chegando à porta do templo e conduzindo o candidato, bate à porta como no 1º grau. O Cobr∴ Int∴ comunica ao Ven∴ e este manda verificar quem bate. Por sua vez, o Cobr∴ Int∴ informa que é o Exp∴ conduzindo um Ap∴ que deseja passar da Perpendicular ao Nível.
À ordem do Ven∴, o candidato entra como Apr∴, coloca-se entre colunas, à direita do Exp∴, faz a saudação às Luzes e permanece à ordem e com a régua (não graduada) na mão esquerda (apoiada no ombro esquerdo que é o símbolo da Lei da Ordem e da Inteligência, que deve nortear as atividades dos Maçons e os estudos do Companheiro. Ressalte-se que a Sessão foi aberta ritualisticamente.
A seguir, o Ven∴ explica, ao candidato, que ele irá passar do número TRÊS ao número CINCO e que deverá realizar cinco viagens, em alusão aos cinco anos de trabalhos e de estudos, que era, primitivamente, a exigência para que os obreiros aspirassem à ascensão dentro da Ordem. Hoje não se trata de uma graça especial o fato de serdes elevado após um estágio simbólico, o que contudo não é feito indistintamente. Por isso, aquele que é privilegiado, deve tornar-se digno de tal graça, trabalhando com todo zelo.
O próprio Ven∴ ou o Orad∴ explica, a seguir, o significado da Régua de 24 polegadas que o candidato leva no ombro. - Todos os sinais maçônicos devem ser feitos com a mão e jamais com instrumento de trabalho como: malhetes, bastões, espadas, sacolas.

A régua de 24 polegadas
A polegada é uma medida antiga que se afastou do sistema métrico francês; contudo, ainda é usada, posto que esporadicamente, é utilizada por nós brasileiros.
A Maçonaria a adota porque simboliza o dia com as suas 24 horas.
Assim, a régua maçônica mede 0,66 (sessenta e seis centímetros - a polegada é a 12ª parte do pé, ou, 0,0275).
O tamanho da régua já sugere que é um instrumento destinado à construção.
Filosoficamente, o maçom deve pautar a sua vida dentro de uma determinada medida, ou seja, deve programá-la corretamente e não se afastar dela.

Primeira Viagem
Ferramentas: Maço e Cinzel, simbolizando a Vontade ativa, firme e perseverante e o Livre Arbítrio; fortifica-se a Vontade para chegar ao Livre Arbítrio.
Lembra os 5 órgãos dos sentidos.
Antes, a uma ordem do Ven∴, o Exp∴ substitui, na mão esquerda do Aprendiz, a Régua pelo Maço e pelo Cinzel.
Depois disso ele toma a mão direita do candidato, do Norte e do Sul, mas só no espaço entre as Colunas do Norte para o Sul, passando-se, depois, entre colunas e à ordem, sem fazer qualquer sinal, a não ser inclinar ligeiramente a cabeça em sinal de respeito ao Venerável. É comunicado que foi concluída a primeira viagem.
O Ven∴ então fala sobre o significado dessa viagem e sobre o Simbolismo do Maço e do Cinzel - É mister que ressaltar que todos os Irmãos, ao adentrarem o templo, durante a sessão, devem fazê-lo com as devidas formalidades, ou seja: deverá entrar com a marcha do grau.
Significado dessa viagem - palavras do Ven∴ - Meu Ir∴ , esta primeira viagem simboliza o período de um ano, que o Comp∴ deve empregar em aperfeiçoar-se na prática de cortar e lavrar a P∴ B∴ que aprendeu a desbastar, quando Apr∴, com o maço e o Cinzel. Por muito perfeito que seja o Apr∴ lembrai-vos que sozinho não pode terminar a sua obra, visto como os molhes (paredão, que se constrói nos portos de mar em forma de cais, para protegê-lo da violência das águas; quebra-mar) de pedras do Templo que se eleva a Glória do Gr∴ Arq∴ do Univ∴ exigem, um duro e penoso trabalho no Maço, e da firme e aplicada direção do Cinzel, não se desviando do que pelos Mestres lhe foi traçado (pequena pausa).
Dai-me o Sin∴ de Apr∴

Simbolismo do Maço e Cinzel
Maço - O maço é uma espécie de martelo, de maiores proporções, servindo para construir ou para destruir. Maçonicamente, o maço é a ampliação do malhete, instrumento empunhado pelo Venerável Mestre e pelos Vigilante, representando a força e vigor. O maço sugere duas situações, uma ativa, outra passiva; a ativa é quando bate, e passiva quando o objeto batido sofre o choque. O que nos lembra o maço, senão que o usamos na iniciação apenas uma vez, dando três pancadas na pedra bruta?
Podemos tirar uma boa lição desse instrumento tão contundente, usando-o em nós mesmos para retirar as arestas de nossa pedra bruta, objetivado o auto aprimoramento.
A maçonaria é uma escola, mas há viabilidade de uma auto-educação, pois, ao invés de esperarmos que alguém nos bata para aparar nossas arestas, podemos fazer isso nós mesmos, em uma atitude mais suave e precisa.
Reconhecer os próprios erros já é uma prática de desbastamento do espírito, ainda embrutecido da inteligência humana.
Cinzel - Instrumento do grau de Aprendiz, que, com o malho, serve para desbastar simbolicamente a pedra bruta, esta um emblema da personalidade não educada e polida. Representa o intelecto.

Segunda Viagem
Ferramentas: Régua e Compasso, simbolizando a Harmonia e o Equilíbrio. Com elas pode-se construir todas as figuras geométricas existentes. Deus geometriza. A Régua traça a linha de conduta e o Compasso traça um círculo que indica o alcance de nossa linha de conduta.
Esta Viagem tem por objetivo o estudo da Arquitetura e também a Agrimensura, que no Antigo Egito era sagrada e secreta.
Inicia-se pela substituição do Maço e o Cinzel, pelo Compasse e pela Régua de 24 Polegadas. O trajeto é o mesmo da primeira, terminando entre colunas, ficando, o candidato, à direita do Exp∴. Depois da comunicação do término da viagem, o Ven∴ explica o significado dela e o do Compasso e da Régua de 24 polegadas - Arrastar os pés no chão, para as delegações de Lojas.
Significado dessa viagem - palavras do Ven∴ - Meu Ir∴, esta Segunda viagem nada mais é do que o símbolo do segundo ano, no qual o Apr∴ deve adquirir os elementos práticos da Maçonaria, isto é, a arte de traçar linhas sobre materiais desbastados e aplainados, o que só se consegue com a Régua e o Compasso. (pequena pausa)
Ven∴ - Meu Ir∴ , daí o sinal do Toq∴ de Apr∴ ao Ir∴ 2º Vig∴.

Simbolismo do Compasso
O Compasso Filosoficamente, o homem constrói a si próprio, e para que resulte um templo apropriado a glorificar o grande arquiteto do universo torna-se indispensável saber usar cada um dos principais instrumentos da construção.
Dos alicerces ao teto, todos eles são indispensáveis, e quando surgir em nosso caminho algo com aparência de incontornável, lançamos mão da alavanca. Removido o obstáculo, teremos uma edificação gloriosa que nos honrará.
O compasso mede os mínimos valores até completar a circunferência e o círculo onde fixamos uma das hastes do compasso e, girando sobre nós próprios, executaremos com facilidade o projeto perfeito.
O entrelaçamento do compasso com o esquadro será o distintivo permanente da maçonaria. Nossa vida é uma prancheta onde grafamos os projetos que, estudados, calculados os seus valores resultará no caminho completo para a construção de nosso ideal.

Terceira Viagem
Ferramentas: Régua na mão esquerda e Alavanca apoiada no ombro direito. Alavanca simboliza Potência e Resistência; Potência para regular e dominar a inércia dos instintos; a Alavanca é a fé que move montanhas. Está relacionada com a Matéria. Tem duas extremidades: o pensamento e a vontade. Esta Viagem lembra as sete artes liberais do mundo antigo
Para fazer a terceira viagem, é substituído, na mão esquerda do candidato, o Compasso pela Alavanca, continuando a Régua de 24 polegadas. A viagem é igual às anteriores e, no final o Ven∴ dá as explicações sobre ela e sobre a Alavanca. - Trata-se do terceiro ano de estudos. A alavanca é o símbolo da Força , servindo para erguer os mais pesadas fardos; moralmente, ela representa a firmeza de caráter, a coragem indomável do homem independente e o poder do amor à Liberdade.
Significado dessa viagem - palavras do Ven∴ - Meu Ir∴ , esta terceira viagem simboliza o terceiro ano, no qual se confia ao Apr∴ a direção, transporte, colocação dos materiais trabalhados, o que se alcança com a Régua e a Alavanca.
A Alavanca, em lugar do Compasso, é o emblema do poder que, junto às nossas forças individuais, multiplica a potência do esforço e possibilita o desempenho de grandes tarefas.

Simbolismo da Alavanca
A Alavanca - Trata-se de um instrumento utilizado que representa simbolicamente a força. Seu formato, de per si, sugere essa referida força; basta-lhe um ponto de apoio para erguer um peso enorme sob a simples pressão muscular de um braço.
Arquimedes dizia: "Dai-me um ponto de apoio que erguerei o mundo", manifestação filosófica no sentido de valorizar o "ponto de apoio".
Em nossa vida quando no deparamos com algum obstáculo a ser removido e que expressa um esforço impossível, o maçom deve evocar a alavanca e buscar esse "ponto de apoio".
Às vezes , a solução está perto de nós e não visualizamos porque nossa atenção está voltada para o grande obstáculo.
A lição da alavanca é que não há peso que não possa ser removido e, assim, os obstáculos serão removidos, embora ultrapassados , pois a alavanca apenas suspende e, desequilibrando o peso, faz com que este se mova.
Existindo o problema, ao lado estará a solução, basta encontrá-la, o que não é tarefa ingente.
O) "!ponto de apoio" é quem suporta todo o peso do obstáculo e, assim, revela-se a parte mais importante.
Numa fraternidade, cada irmão constitui um "ponto de apoio", que unidos representa a alavanca, devemos aprender a usar esse poder que só a maçonaria propicia.

Quarta Viagem
Ferramentas: Régua e Esquadro que simboliza os propósitos segundo o ideal que inspira.
Viagem destinada ao estudo da Filosofia.
Inicia-se com a substituição da alavanca pelo Esquadro, continuando a Régua de 24 Polegadas.
O trajeto é o mesmo das viagens anteriores e, no final da viagem, o Ven∴ dá a explicação sobre os símbolos. - Esta viagem representa o estudo da Natureza, cujo conhecimento nos leva construção do edifício na direção de seu todo, simboliza ainda meu Ir., nos tempos primitivos da nossa Ordem era mister que o Apr∴ trabalhasse, sem interrupção durante cinco anos, para ser Elevado à Comp∴ . Não quero, com isso, dizer que seja uma graça especial o fato de serdes Elevado hoje, após um estágio simbólico, o que, contudo, não é feito indistintamente, dizendo pelas ciências.
Significado dessa viagem - palavras do Ven∴ - Esta quarta viagem, meu Ir∴, simboliza o quarto ano de um Apr∴, no qual ele deve ocupar-se, principalmente, na construção do edifício, na direção de seu todo, verificando a colocação dos materiais reunidos dando continuidade da obra do Grande Arquiteto do Universo. Esse conhecimento nos traduz que com a aplicação do zelo e da inteligência mostrado no trabalho constante, comedido e aprimorado pode nos permitir orientar nossos IIr∴ menos instruídos.

Simbolismo do Esquadro
O Esquadro - Somente quem souber esquadrejar poderá transformar a pedra bruta em pedra angular e devidamente desbastada, visando - num trabalho - poli-la e burilá-la parta ser transformada em pedra de adorno na construção.
O Esquadro que forma um ângulo reto nos ensina a retidão de nossas ações; o maçom em sua linguagem simbólica diz que pauta a sua vida "dentro do esquadro"
Tudo está na dependência da retidão, tanto na horizontalidade como na verticalidade.
Seguindo-se as hastes do esquadro, teremos dois caminhos que vão se afastando, quando mais distantes seguirem; isso nos ensinará que se nossa vida se pautada de forma correta, encontraremos o caminha da verticalidade espiritual e o da horizontalidade material.
Esse instrumento é imprescindível na construção; caso não for usado, teremos uma obra torcida, sem equilíbrio e pronta para ruir.

Quinta Viagem
Sem ferramentas demonstrando o perfeito desenvolvimento das faculdades internas já enumeradas. Existe uma discussão pelo fato de o Ap∴, candidato a Comp∴, não portar ferramentas alegando-se que estaria ocioso, mas a verdade é que é uma Viagem de meditação, igualmente proveitoso para o trabalho que virá.
Esta Quinta Viagem tem o mesmo sentido horário, conforme o rito de circunvolução. É errado o sentido inverso que em alguns textos ou rituais chegou a ser estabelecido pouco tempo atrás.
A Espada contra o peito simboliza a proteção do Anjo da Guarda para o Homem que, expulso do Éden precisa defender-se do Mal que existe no mundo externo; que ele não entre no seu Templo interior.
O Exp∴ retira o Esquadro e a Régua da mão do candidato, pois, nesta viagem, ele nada leva. O Exp∴, então encosta a ponta de uma espada sobre o peto (lado esquerdo, região cordial) do Aprendiz, que com o polegar e o indicador da mão direita, segurará a ponta da arma, fixando-as. E assim é feita a circulação. - A Quinta viagem significa que, tendo, o candidato terminado a sua aprendizagem material, representada pelas quatro viagens, em que ele conduziu instrumento de trabalho, ele pode aspirar a alguma coisa além do que pode ser percebido no plano físico do Aprendiz. Ou seja, ele está pronto para a transição do plano físico ao plano espiritual, ou plano cósmico.
Significado dessa viagem - palavras do Ven∴ - Terminada, o Ven∴ transmitirá o seu significado.
Esta quinta viagem mostra que o Apr∴ suficientemente instruído nas práticas manuais, deve, durante o quinto e último ano, aplicar-se ao estudo teórico.
Meu Ir∴, não basta estar no caminho da Virtude, para nela nos conservamos; parta chegarmos a Perfeição, são necessários muitos esforços. Segui, pois o objetivo traçado e tornai-vos digno de conhecer os altos trabalhos maçônicos.

Considerações finais
Observando-se o painel do grau de companheiro vêem-se as 09 seguintes ferramentas:

Alavanca, Cinzel, Compasso, Esquadro, Maço, Nível, Prumo, Régua, e a Trolha

O que tem haver 6 destas 9 ferramentas quanto ao desejo do candidato passar da Perpendicular ao nível?
A perpendicular representa o ser humano hígido, de pé e ativo, é a reta que ascende para o reino dos céus; é a escada de Jacó que na sua verticalidade rompe as nuvens do firmamento.
Observa-se ainda outros dísticos, porem não é o caso a ser discutido no momento.
Assim das ferramentas enumeradas, apenas :
O maço, o cinzel, o compasso, a régua, a alavanca e o esquadro serão utilizados na cerimônia de elevação.
Embora, use-se também a espada na 5ª viagem, esta não é ferramenta do grau de companheiro, mas representa a proteção do sigilo que o agora companheiro deverá conservar consigo, ou partilhar com irmãos do mesmo grau ou superior.
Concluindo, de todo os conhecimentos transmitidos, entendemos, que não basta estarmos no caminho da virtude, e nela nos conservarmos,; para chegarmos à perfeição, são necessários ainda muitos esforços, estudo e pesquisas.
A atuação do maçom não se restringe a loja, pois é seu dever é exercer a verdadeira postura maçônica no mundo profano, agindo com tolerância, prudência e respeito pelo ser humano.

O Simbolismo da Elevação a Companheiro
Escrito por Armando Filippi Cravo
Introdução
Inicialmente queremos dar ênfase e chamar a atenção sobre a importância transcendental do simbolismo, que constitui os fundamentos da nossa Ordem, legado que recebemos de nossos antecessores e que continua sendo a maneira mais eficaz de transmitir nosso pensamento e nossa filosofia de vida. É um dos mais dignos suportes no qual se baseia nossa união.
Trata-se da representação visível de uma idéia ou uma força que atrás dele se oculta. É o instrumento através do qual as idéias chegam a se manifestar, e ao mesmo tempo é o mais apropriado veículo, que conduzido adequadamente nos leva precisamente à compreensão da sua identidade. Veda seu conteúdo aos que não estão capacitados para saber; mas revela aos iniciados e aos que estão dispostos a ver adiante das simples aparências, os segredos e mistérios do seu significado.
O conhecimento da verdade é como a luz pura que, refratada em um cristal prismático, se decompõe nas cores primárias. Cada indivíduo, sob a influência de uma determinada cor enxergará a luz de forma diferente de outro sob a influência de outra cor, um dirá que a luz é vermelha, outro dirá que a luz é amarela, ambos estão certos, porém, cada qual conhece apenas uma parcela daquilo que é verdadeiro.
Por outro lado a interpretação dos símbolos depende da posição relativa do indivíduo e do momento psicológico que ele está vivendo, sendo ele um ser único, lerá de forma única a mensagem oculta.
Sendo cada indivíduo um ser único e que, como já visto, o símbolo permite várias interpretações, infere-se daí que cada um terá uma visão única do seu significado , ainda mais, dependendo da sua vivência, cada indivíduo poderá emitir uma interpretação totalmente diferente da anterior, fundamentado no seu conhecimento relativo no tempo e do momento psicológico que está vivendo, porém, não menos verdadeira. Em resumo, cada símbolo pode ser interpretado de infinitas maneiras.
A nós, maçons, interessa buscar em cada símbolo o seu sentido maçônico, aquele sentido que pode nos levar ao aperfeiçoamento moral e ético, que nos ajude a enxergar as irregularidades da Pedra Bruta que somos.

O Grau de Companheiro
O Grau de Companheiro, é o segundo dentro do Rito Escocês Antigo e Aceito. Junto com o primeiro e terceiro são denominados de Graus Simbólicos. Os demais graus do Rito, são conhecidos como os Graus Filosóficos.
O Grau de Companheiro tem como objetivo o estudo das Ciências Naturais, da Cosmologia, da Astronomia, da Filosofia, da História e a investigação da origem de todas as causas de todas as coisas.
Dedica-se, outrossim, ao estudo dos símbolos e, como o faz o 1º Grau, procura conhecer o homem como ser útil na sociedade, buscando colocá-lo a serviço da humanidade para semear bem-estar através do trabalho, da ciência e da virtude.
O Aprendiz Maçom que conclui seu tempo no estágio que lhe foi proposto, julga ter estudado e absorvido os ensinamentos de todos os símbolos que encontrou dentro do Templo, contudo verificará que, ao passar para o 2º Grau, surgem novos símbolos e novas interpretações.
O seu caminho será um pouco mas preciso e filosófico/prático, sem obviamente, somar profundos conhecimentos maçônicos, exigidos gradativamente em sua elevação e posterior exaltação ao 3º Grau.
Por ser o grau intermediário dentro da Maçonaria Simbólica, assume relevante posição o estudo. Ser Companheiro, significa ser o laço de união entre o Aprendiz e o Mestre. Não sendo mais Aprendiz e sem ter alcançado a posição de Mestre, o Companheiro coloca-se como se fora o fiel de uma balança imaginária, equilibrando posições, aspirações e tendências.
Após cumprido seu período, que também é longo, paciencioso e constante, a sua fidelidade lhe dará um prêmio valioso, o de ser aceito como Mestre que é dentro da Maçonaria Simbólica a última posição.

O Simbolismo da Elevação
Devido a complexidade do simbolismo contido na a Elevação, vamos procurar nos deter na conceituação simbólica do ritual das viagens.
Construir, talvez seja o mais perfeito paradigma para o nosso engrandecimento interior. Qualquer criação seja ela física, mental ou espiritual é para nos maçons uma obra de arquitetura. Tanto que na Ordem, Deus é chamado de "O Grande Arquiteto do Universo". Esta alegoria é tão forte que propicia no campo filosófico, a possibilidade de um ser humano alargar infinitamente seus horizontes e galgar sozinho alturas inimagináveis, começando simplesmente por aprender a desbastar sua Pedra Bruta. Essa didática é tão eficaz, que passado somente alguns meses de nossa Iniciação, podemos constatar o quanto evoluímos intelectual, moral e espiritualmente. Sem que nos déssemos conta, subjetivamente, esta imagem penetrou nosso inconsciente e ficou gravada profundamente na nossa psique, lembrando-nos o tempo todo que somos ao mesmo tempo a matéria- prima, a obra e o autor. Assim funciona a psicologia do desenvolvimento maçônico. Estamos começando, ao menos simbolicamente, a nos libertar das paixões, erros e vícios e passando de Aprendizes a Companheiros, deixamos o três para aprendermos o cinco.
Como rito desta passagem, empreendemos cinco viagens, circulando por cinco vezes o Templo, do Ocidente para a Luz do Oriente e retornando sempre ao Ocidente. A cada etapa nos são apresentados diferentes instrumentos e cada vez que retornamos ao ponto de partida nos elevamos a um plano superior.
Entra-se no Templo portando a régua de vinte e quatro polegadas. Na primeira viagem ela é substituída pelo maço e cinzel. Sendo instrumentos complementares, só funcionam em conjunto. Representam, o primeiro: a vontade, a razão e a equidade, o bem julgar e o bem decidir; o segundo: o livre arbítrio, a educação e a influencia do intelecto. São usados para desbastar a Pedra Bruta, a qual fará parte do alicerce da futura construção. Esta viagem nos alerta para os cinco sentidos que são nossas janelas para o mundo físico e nos permitem vivenciá-lo
Na segunda viagem a régua e o compasso substituem o maço e o cinzel. A régua simboliza o método, a lei e a retidão de caráter. O compasso representa o infinito, pelos infinitos círculos que pode traçar. É o relativo e o absoluto coexistindo em um único símbolo.
A Inter-relação entre a régua e o compasso é simbolicamente explicada pela função geométrica dos dois instrumentos. A régua é utilizada para traçar linhas retas que significam a retidão e inflexibilidade do direito e da lei moral. Simbolicamente, ainda a este conceito, opor-se-ia a relatividade do círculo, resultado característico do traçado do compasso, simbolizando a realidade ágil e perene, com a curvatura relativa a cada um de nós. Como somos limitados, devemos nos apoiar na régua para balizar nossa conduta reta, porém sem perder o senso de realidade a que muitas vezes temos que nos render, às vezes devemos nos espelhar no G∴G∴, que escreve certo por linhas tortuosas.
Ainda que o conceito físico da definição de reta nos prove de grande significado simbólico, onde se diz que toda reta é uma pequena secção de curva (perímetro de uma circunferência) com raio infinito, vem nos mostrar que, muitas vezes, o que nos parece reto não o é e, muitas vezes, o que nos parece curvo tão pouco o é.
Com estes dois instrumentos podemos desenhar qualquer figura geométrica e praticando os valores intrínsecos destes símbolos, projetar qualquer planta da Arquitetura Maçônica. Juntos, a régua e o compasso representam a Harmonia e o Equilíbrio. Esta viagem nos mostra o valor da Arquitetura, ensinando-nos as cinco ordens básicas. Cada ordem é representada por uma coluna que irá decorar cada um dos cinco degraus que o Companheiro deverá subir: Dórica, Jônica, Coríntia, Toscana e Compósita. Cada coluna representa também um tema de estudo do Companheiro: Inteligência, Retidão, Valor, Prudência e Filantropia.
Para a terceira viagem conserva-se a régua e recebe-se a alavanca. Esta, simboliza a perseverança, a força moral, o movimento, a vontade acompanhada da inteligência e da bondade. Possibilita que com um mínimo de esforço e com um ponto de apoio preciso, movimentemos, praticamente, qualquer objeto de qualquer peso. Simbolicamente, a alavanca pode também ser interpretada como nosso livre arbítrio, pois pode remover imensos preconceitos alojados na nossa mente, impulsionada apenas pela força da razão e tendo como ponto de apoio a inteligência. Por isso a régua deve acompanhá-la sempre, pois sem a retidão e a moral seus efeitos poderiam ser desastrosos. Nesta viagem nos são apresentadas as artes liberais. A gramática, a retórica e a lógica permitem que nos comuniquemos, transformando a fala em verdadeira arte. A aritmética nos permite a arte de contar, a geometria a de medir, a astronomia a de conhecermos o Universo e finalmente a musica que sendo também matemática, nos permite alcançar altos níveis de contato com as esferas superiores. Em conjunto nos permitem a vivência e o conhecimento plenos do mundo exterior e nos abrem as portas para o mundo interior .
Para a quarta viagem troca-se a alavanca pelo esquadro e foi mantida a régua. Símbolo da equidade, retidão, justiça e disciplina, o esquadro é a soma do nível com o prumo. Seria impossível formatar nossa Pedra Cúbica sem seu auxílio.
Esta representa o ser e sua alma e o Companheiro deverá ter a justa medida, a perseverança e a disciplina para geometrizá-la e polí-la a fim de que cada uma de suas faces resulte na perfeita representação de cada uma das faculdades espirituais.
Empreende-se a quinta viagem sem portar nenhum instrumento, pois como postulantes a Companheiros, naquele momento, já devem ter incorporado suas qualidades. Tem-se apontada contra o peito a ponta de uma espada.
Este ritual nos atenta para a pureza interna que deveremos alcançar e possamos assim atingir as regiões mais altas de nossa espiritualidade. Esta Espada representa o Anjo da Espada Flamejante que guarda o "Portal do Éden", região situada no meio da espinha dorsal. Ela impede que os pensamentos impuros do mundo inferior alcancem e poluam as regiões cristalinas do nosso mundo espiritual. A expulsão do paraíso se deu exatamente por ter o humano usado o intelecto para acumular desejos criando assim o seu inferno. O escopo desta quinta viagem é fazer com que o homem refaça este caminho em sentido inverso e reencontre-se com seu paraíso, ou seja, seu plano espiritual (seguindo esta idéia, algumas Lojas mudam o ritual e fazem esta viagem em sentido inverso).
Assim, alcança-se o primeiro degrau da escada de Jacó. A escada por onde os Anjos de Deus sobem e descem. E como o Grande Arquiteto não nos abandona nunca, envia estes mesmos anjos para nos auxiliar nesta subida. Devemos durante essa escalada para a Luz, manter acesas as chamas da Fé, da Esperança e da Caridade, simbolizadas pela Cruz, pela Âncora e pelo Cálice. Sobretudo devem-se manter acesas as chamas da justiça e da liberdade, a nossa liberdade, a liberdade dos outros, mas principalmente nossa liberdade interior. Que nunca, ninguém, nem nada, possam cercear nosso direito de livre pensar.

Bibliografia
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CAMINO, R - Breviário Maçônico - Para o dia-a-dia do Maçom - Madras Editora Ltda. São Paulo, 1999.
CASTEZLLANI, J. Liturgia e Ritualística do Grau de Companheiro Maçom ( em todos os Ritos)
A Gazeta Maçônica. S Significado dessa viagem - palavras do Ven.: - Paulo ,1987.
FIGUEREDO, J.G. - Dicionário de Maçonaria - Seus mistério, Seus ritos, Sua filosofia, Sua história. Editora Pensamento Ltda, São Paulo, 1996-97-98.
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GERVÁSIO de Figueiredo, Joaquim. Dicionário de Maçonaria –
ADOUM Jorge Grau do Companheiro e seus Mistérios –
DA CAMINO Rizzardo Simbolismo do Segundo Grau –
COSTA Frederico Guilherme O Grau de Companheiro por um Companheiro –
Ritual do Companheiro Maçom - GOB